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PROGRAMAÇÃO: Novembro 2017

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2
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Stéphane Brizé

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Paul Schrader

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* ENTRADA LIVRE * em parceria com o binnar

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Benny Safdie, Josh Safdie

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Pedro Pinho
* TRAZ OUTRO AMIGO TAMBÉM * 21h00


Sala de exibições:
Pequeno auditório
Casa das Artes de V. N. de Famalicão
Parque de Sinçães - V. N. de Famalicão


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A VIDA DE UMA MULHER, de Stéphane Brizé

Sinopse

França, séc. XIX. Jeanne, uma jovem aristocrata, regressa a casa dos pais após concluir os estudos num convento. Com uma existência limitada à vida em clausura e a cabeça cheia de sonhos, ela tem uma visão pueril e romanceada sobre as relações humanas. Pouco preparada para a vida adulta, aceita casar-se com Julien de Lamare, por quem se apaixona e com quem espera viver uma grande história de amor. Contudo, após o casamento, ele revela-se distante, avarento e infiel. Assim se vai passando, ao longo de três décadas, a vida desta mulher. A solidão, a dor e o desencanto tornam-se as suas únicas companhias.

Em competição pelo Leão de Ouro no Festival de Cinema de Veneza – onde foi galardoado com o Fipresci - Prémio da Crítica Internacional –, um filme realizado por Stéphane Brizé ("Mademoiselle Chambon", "Quelques Heures de Printemps", "A Lei do Mercado"). O argumento, da autoria de Brizé e de Florence Vignon, adapta o primeiro romance de Guy de Maupassant (1850-1893), um dos mais importantes escritores em língua francesa.

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Ficha Técnica

Título original: Une Vie (Bélgia / França, 2016, 119 min.)
Realização: Stéphane Brizé
Interpretação: Judith Chemla, Jean-Pierre Darroussin, Yolande Moreau
Argumento: Stéphane Brizé, Florence Vignon
Produção: Miléna Poylo, Gilles Sacuto
Musica: Olivier Baumont
Fotografia: Antoine Héberlé
Montagem: Anne Klotz
Estreia: 9 de Agosto de 2017
Distribuição: Alambique
Classificação: M/12

Maupassant no século XXI
João Lopes, Cinemax

Eis um dos grandes acontecimentos deste Verão cinematográfico: com "A Vida de uma Mulher", Stéphané Brizé consegue uma excepcional adaptação do romance "Une Vie", de Guy de Maupassant — com uma actriz de enorme talento, chamada Judith Chemla.

É verdade que o grande cinema não precisa de qualquer caução literária para acontecer. Mas não será menos verdade que há grande cinema, desde o mudo até à nossa actualidade, que se enraiza numa elaborada relação com as matérias literárias, nelas colhendo acontecimentos susceptíveis das mais inusitadas transfigurações cinematográficas — "A Vida de uma Mulher", do francês Stéphane Brizé, é um admirável exemplo de tal relação.

Vale a pena recordar que conhecemos o trabalho de Brizé através de "A Lei do Mercado", um drama contemporâneo sobre o emprego/desemprego que valeu a Vincent Lindon o prémio de interpretação masculina em Cannes/2015. Na verdade, algo da relação sensual da câmara com Lindon está, de novo, presente no modo como Brizé filma a brilhante Judith Chemla no papel de Jeanne.

Sem esquecer a literatura, precisamente, importa lembrar: Jeanne é a personagem central do romance que o filme adapta, "Une Vie", de Guy de Maupassant (publicado em 1883). A sua condição de mulher — num contexto social em que o estatuto feminino existe delimitado por muitas regras conjugais e familiares — é, afinal, desafiada pelos dramas que enfrenta, a começar pela traição do marido.

Muito mais do que um "símbolo" fechado, Jeanne surge no filme de Brizé como um ser compelido a conhecer e afirmar a sua própria identidade através de um jogo de contrastes e contradições, coisas ditas e palavras silenciadas. "A Vida de uma Mulher" é um filme sobre o labirinto em que tudo isso acontece — o mais discreto gesto pode ser tão intenso como o diálogo mais contundente e, não poucas vezes, a violência emocional esconde-se nas serenas paisagens do quotidiano.

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