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PROGRAMAÇÃO

Eric Rohmer
Rohmer: Conflitos Morais e Triângulos Amorosos JNHC

João Canijo
* TRAZ OUTRO AMIGO TAMBÉM

Abel Ferrara
Entrada Livre

Werner Herzog

Luca Guadagnino

Samuel Maoz

Sala de exibições Pequeno auditório
Casa das Artes de V. N. de Famalicão
Parque de Sinçães - V. N. de Famalicão

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ROHMER: Conflitos Morais e Triângulos Amorosos

Download do Dossier ROHMER: Conflitos Morais e Triângulos Amorosos (aprox. 300kb)

Nesta edição da rubrica Já Não Há Cinéfilos?! apresentaremos Eric Rohmer, um dos gigantes da história do Cinema recentemente desaparecido, através das suas 4 Estações. A obra de Rohmer apresenta uma coerência indestrutível, concretizada na forma como o cineasta organizou os seus filmes por séries (além das Estações, os Contos Morais, e as Comédias e Provérbios) absorvendo, assim, grande parte da sua obra. Cineasta sofisticadíssimo, que dava uma enorme importância à palavra, elegendo-a como motor da narrativa e da encenação (ver texto de Luís Miguel Oliveira), ergueu uma obra sempre à margem, inclusive dos seus contemporâneos da Nouvelle Vague, com um interesse constante pelos conflitos morais entre os personagens e as suas relações organizadas, invariavelmente, em triângulo, expondo os contratempos e as manipulações geradas pelas desventuras amorosas. As 4 Estações, uma óptima porta de entrada na obra de Rohmer, com os seus personagens calorosos, contraditórios, num deambular constante entre a frivolidade, os improvisos da vida e os jogos amorosos.

Cineclube de Joane, Setembro de 2010

Morreu Éric Rohmer, homem de palavra
Luís Miguel Oliveira, Público de 11 de Janeiro de 2010

Surpresa, morreu Eric Rohmer: era daqueles que já acreditávamos serem imortais. Como se entre ele e o “Fausto” de Murnau, o seu mais adorado filme e o seu mais adorado cineasta, houvesse, por sua vez, algum pacto. Estava prestes a fazer 90 anos e realizara em 2007 o seu último filme, “Os Amores de Astrée e Celadon”, belíssimo e rohmerianíssimo fecho de obra, e filme onde o cineasta, que sempre fez as palavras “fazerem coisas”, as fez fazer coisas inauditas. Como, por exemplo, mudar o sexo das personagens.

“Efeitos especiais”? É mentira que não os haja em Rohmer, o seu cinema está cheio deles: chamam-se “palavras” e são um dos principais eixos da sua obra. Numa entrevista dada por ocasião da estreia do seu penúltimo filme, “Agente Triplo”, em 2004, e agora reposta no sítio “online” do “Libération”, Rohmer resumiu: “voilá, eis a minha especialidade: encenar a palavra e o seu poder”.

Depois de “Astrée e Celadon” Rohmer teria dito que estava na “altura da reforma”. É crível que, por mais anos que vivesse, a sua obra estivesse encerrada. Se as contas não nos falham, vinte e quatro longas-metragens de ficção, a que acresce um valente punhado de curtas-metragens e um sem número de trabalhos para a televisão, de âmbito literário e cinematográfico, e de onde há destacar (pelo menos) dois filmes extraordinários: o episódio dedicado a Carl Dreyer na série “Cinéastes de Notre Temps” e, para outra série televisiva (“Aller au Cinéma”), “Louis Lumière”, fabuloso retrato da “fundação” do cinema a partir de uma conversa com (e entre) Jean Renoir e Henri Langlois.

E, claro, não se pode esquecer isto, porque foi de onde tudo começou: Eric Rohmer foi um dos mais brilhantes críticos de cinema do século XX, a apesar de ser, “grosso modo”, dez anos mais velho do que os seus companheiros (Rivette, Godard, Truffaut), fez parte da “ínclita geração” dos Cahiers du Cinéma dos anos 50 (revista cuja redacção dirigiu entre o final dessa década e o princípio da de 60). Antes disso, ainda, tinha sonhado ser escritor: a série dos “Contos Morais”, por exemplo, começou por ser um projecto literário. Romancista “falhado”, Rohmer converteu-se, sem amargura especialmente visível, em cineasta excepcional.

Rohmer acompanhou os seus colegas mais jovens na passagem à realização, e tornou-se um nome central da “nouvelle vague”. Talvez por ser o mais velho, já não ter idade para “sprints” e, pelo contrário, ter coração de fundista, de entre os cineastas da “nouvelle vague” a sua estreia foi a mais discreta de todas. “Le Signe du Lion”, primeira longa (em 1959/60), contemporânea do estardalhaço provocado pelos “400 Golpes” de Truffaut e pelo “Acossado” de Godard, praticamente passou despercebido.

Num impasse criativo, Rohmer lembrou-se da sua frustração literária, os “Contos Morais”. Passou-os a filme e saiu-lhe a sorte grande: de episódio em episódio (seis, entre 1963 e 1972), a sua popularidade foi crescendo e o seu nome foi-se firmando. Depois da série dos “Contos Morais”, Rohmer, que não só apreciava este tipo de arrumação serialista como estimulava as rimas internas, os jogos de espelhos, os exercícios de geometria narrativa, dedicou-se ainda a mais duas séries: as “Comédias e Provérbios”, entre 1981 e 1987 e, acompanhando a década de 90, os “Contos das Quatro Estações”.

Com vários filmes de permeio, todos eles altamente significativos: enquanto nas séries filmava personagens e ambientes contemporâneos, nos filmes “avulsos” dedicava-se, frequentemente, a adaptações literárias (“Perceval le Gallois”, a partir de Chrétien de Troyes, e “A Marquesa d’O”, baseado em Kleist, nos anos 70) e temas históricos, como nos três filmes que fez no século XXI, que visitam a Revolução Francesa (“A Inglesa e o Duque”), os anos 30 (“Agente Triplo”) e a Gália do tempo do Império Romano (“Os Amores de Astrée e Celadon”).

O Marivaux do cinema francês, chamaram-lhe muitas vezes. E muitas vezes Rohmer se dedicou aos jogos amorosos e à volatilidade das paixões, nas mais diversas circunstâncias. Gostava de repetir uma frase que tinha aprendido com um seu professor no liceu, que ao que parece desconfiava da psicanálise: “o inconsciente? o inconsciente é o corpo!”. E as palavras, apenas a maneira racional de justificar e moralmente enquadrar as coisas (o desejo, a paixão) que o corpo diz sem palavras. A natureza humana: sobre ela, a obra de Rohmer é um tratado. Indispensável e inimitável.

CONTO DE VERÃO - 7.Setembro.2010

Gaspard está a passar as férias de Verão em Dinard. Enquanto espera que Léna chegue, conhece Margot, uma estudante que trabalha como empregada de mesa para ganhar algum dinheiro. E numa discoteca, conhece Solène, uma morena que o seduz. Léna chega finalmente a Dinard. Mas entre as três raparigas, o coração de Gaspard balança.

Título original: Conte d'été (França, 1996, 109 min.)
Realização e Argumento: Eric Rohmer
Interpretação: Melvil Poupaud, Amanda Langlet, Aurélia Nolin, Gwenaelle Simon, Aimé Lefeuvre, Alain Guellaff, Evelyne Lahana, Yves Guérin, Franck Cabot
Fotografia: Diane Baratier
Som: Pascal Ribier
Montagem: Mary Stephen
Música: Philippe Eidel, Sébastien Erms
Produção: Françoise Etchegaray / Margaret Menegoz, Les Films Du Losange, La Sept Cinéma, Canal +, Sofilmka
Classificação: M/ 12 anos

CONTO DE OUTONO - Outubro.2010

Magali, viticultora de 45 anos, sente-se isolada no campo desde que o filho e a filha partiram. Uma das suas amigas, Isabelle, tenta arranjar-lhe um marido pondo um anúncio num jornal. Por sua vez, Rosine, a namorada do filho, quer apresentá-la a Etienne, o seu professor de filosofia com quem teve uma relação. É no casamento da filha de Isabelle, que Etienne e Gérald, o homem do anúncio, lhe irão ser apresentados.

Título original: Conte d'automne (França, 1998, 112 min.)
Realização e Argumento: Eric Rohmer
Interpretação: Marie Rivière, Béatrice Romand, Alain Libolt, Didier Sandre, Alexia Portal, Stéphane Darmon, Aurélia Alcaïs, Mathieu Davette, Yves Alcaïs
Fotografia: Diane Baratier
Som: Pascal Ribier
Produção: Margaret Menegoz, Les Films Du Losange, La Sept Cinéma, Canal +, Sofilmka, Rhône-Alpes Cinèma
Classificação: M/ 12 anos

CONTO DE INVERNO - Novembro.2010

Félicie conheceu Charles durante umas férias na Bretanha. Apaixonaram-se, mas acabaram por perder- se de vista, por causa de um lapso idiota. Félice é agora mãe de uma rapariga de quatro anos, Elise, filha de Charles. Cabeleireira em Belleville, partilha a vida entre a casa da mãe e o apartamento de Loïc, o namorado bibliotecário. Maxence, o patrão do cabeleireiro, é seu amante. Félicie decide deixar Loïc para ir viver com Maxence, mas a verdade é que não ama nenhum dos dois. Na rua, no metro, olha para os transeuntes sempre na esperança de reconhecer e reencontrar Charles.

Título original: Conte d'hiver (França, 1991, 110 min.)
Realização e Argumento: Eric Rohmer
Interpretação: Marie Charlotte Very, Frédéric Van Den Driessche, Michel Voletti, Hervé Furic
Fotografia: Luc Pagès
Som: Pascal Ribier
Montagem: Mary Stephen
Música: Sébastien Erms
Produção: Margaret Menegoz, Les Films Du Losange, Soficas Investimage – Sofiarp e Canal +
Classificação: M/ 12 anos

CONTO DE PRIMAVERA - Dezembro.2010

Jeanne tem chaves de dois apartamentos mas vive com a sensação de não ter lugar nenhum onde dormir. Natacha não quer senão partilhar o seu apartamento parisiense que o seu pai, Igor, pouco utiliza. As duas mulheres conhecem-se numa noite em que se sentem ambas deslocadas. E, no espaço de poucos dias, tornam-se inseparáveis. Natacha, que detesta a namorada do seu pai, veria com bons olhos que Jeanne e Igor se envolvessem.

Título original: Conte de printemps (França, 1990, 103 min.)
Realização e Argumento: Eric Rohmer
Interpretação: Anne Teyssèdre, Hugues Quester, Florence Darel, Eloïse Bennett, Sophie Robin
Fotografia: Luc Pagès
Som: Pascal Ribier, Jean-Pierre Laforce
Montagem: Maria-Luisa Garcia
Produção: Margaret Menegoz, Les Films Du Losange, Soficas Investimage
Classificação: M/ 12 anos

Filmografia

Os Amores de Astrea e Celadon / Les Amours d'Astrée et de Céladon (2007)
Le Canapé rouge (2005)
Agente Triplo / Triple Agent (2004)
A Inglesa e o Duque / L'Anglaise et le Duc (2001)
CONTO DE OUTONO / Conte d'automne (1998)
CONTO DE VERÃO / Conte d'été (1996)
Les Rendez-vous de Paris (1995)
L'Arbre, le maire et la médiathèque (1993)
CONTO DE INVERNO / Conte d'hiver (1992)
CONTO DE PRIMAVERA / Conte de printemps (1990)
O Amigo da Minha Amiga / L'Ami de mon amie (1987)
4 Aventures de Reinette et Mirabelle (1987) [comédias e provérbios]
As Noites de Lua Cheia / Les Nuits de la pleine lune (1984) [comédias e provérbios]
O Raio Verde / Le Rayon vert (1983) [comédias e provérbios]
Paulina na Praia / Pauline à la plage (1983) [comédias e provérbios]
O Bom Casamento / Le Beau mariage (1982) [comédias e provérbios]
A Mulher do Aviador / La Femme de l'aviateur (1980) [comédias e provérbios]
Perceval le Gallois (1979)
A Marquesa d'O / La Marquise d'O... (1976)
O Amor às 3 da Tarde / L'Amour l'après-midi (1972) [conto moral # 6]
O Joelho de Claire / Le Genou de Claire (1970) [conto moral # 5]
A Minha Noite em Casa de Maud / Ma nuit chez Maud (1969) [conto moral # 4]
A Coleccionadora / La Collectionneuse (1967) [conto moral # 3]
Paris vu par... (1965)
A Profissão de Suzanne / La Carrière de Suzanne (1963) [conto moral # 2]
Le Signe du lion (1962)
A Padeira de Monceau / La Boulangère de Monceau (1962) [conto moral # 1]
Présentation ou Charlotte et son steak (1960) (curta) / Veronique et son cancre (1958) (curta)
Bérénice (1954) (curta) / Journal d'un scélérat (1950) (curta)
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