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SOMBRAS DA ESCURIDÃO de Tim Burton

Sinopse

Nos finais do séc. XVIII, Barnabas Collings era um jovem aristocrata rico e atraente que julgava ter o mundo aos seus pés. Sem respeito nem compaixão pelos sentimentos alheios, habituou-se a ter todas as mulheres que desejava. Até conhecer Angelique e desprezar o seu amor. É então que os poderes ocultos da rapariga se revelarão fatais. Ela, que não é mais do que uma poderosa feiticeira negra, transforma-o num vampiro e enterra-o vivo. Duzentos anos volvidos, ele é inesperadamente libertado do seu túmulo, acordando na decrépita mansão familiar, no espantoso mundo do séc. XX. Agora, vai conhecer a sua excêntrica linhagem e reaprender a lidar com o génio de Angelique que, ao regressar com ele, fez ressuscitar o seu amor obsessivo.

Realizado por Tim Burton e abrilhantado por Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Michelle Pfeiffer, Eva Green, Christopher Lee e Chloë Grace Moretz, o filme é uma adaptação da série homónima que, entre 1966 a 1971, foi transmitida pelo canal americano ABC e que contava as aventuras da família Collins.

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Ficha Técnica

Título original: Dark Shadows (EUA, 2012, 113 min.)
Realização: Tim Burton
Interpretação: Johnny Depp, Michelle Pfeiffer, Eva Green, Helena Bonham Carter
Argumento: Seth Grahame-Smith
Produção: Christi Dembrowski, Johnny Depp, David Kennedy, Graham King, Richard D. Zanuck
Musica: Danny Elfman
Fotografia: Bruno Delbonnel
Montagem: Chris Lebenzon
Distribuição: Cloumbia Tristar Warner
Estreia: 10 de Maio de 2012
Classificação: M/12

Críticas

Tim Burton ou a poesia das sombras
João Lopes, Cinemax

Mestre de histórias de assombramentos vários, Tim Burton regressa com o delicioso "Sombras na Escuridão", revisitação de uma série televisiva com mais de 40 anos. Com Johnny Depp, claro.

Hoje em dia, os diversos registos do "fantástico" estão muito marcados pela proliferação tecnológica. Para o melhor e, sobretudo, para o pior: com frequência, a acumulação festiva (?) de efeitos especiais é entendida como um fim em si mesma, secundarizando o essencial em qualquer género cinematográfico. A saber: as histórias que se contam e, acima de tudo, o modo de as contar.

O novo filme de Tim Burton, "Sombras da Escuridão" constitui um belo exemplo de resistência. De quê? Precisamente dessa arte de contar histórias e, acima de tudo, de o fazer com a consciência muito nítida de que se está sempre a estabelecer alguma ponte com um património tão vasto quanto disponível.

Insolitamente, esse património é, neste caso, de raiz televisiva: Burton recupera uma das suas referências de infância, a série "Dark Shadows" (1966-1971), preservando o seu desconcertante misto de conto fantástico e comédia do absurdo... Basta dizer que a personagem central é Barnabas Collins, vampiro muito aristocrata que conhecemos no século XVIII, em Liverpool, para reaparecer no Maine, em 1972 (!), para salvar a honra perdida dos Collins.

Para Johnny Depp, intérprete de Barnabas, esta foi a oportunidade de assumir uma figura que, também ainda criança, o seduziu de forma indelével. Além do mais, Burton continua a ser um genuíno director de actores, desta vez devolvendo ao cinema a "esquecida" Michelle Pfeiffer, impecável na figura da matriarca Elizabeth Collins.

"Sombras da Escuridão" possui, acima de tudo, a sedução (e o detalhe) de uma verdadeira fábula. Burton é um narrador que acredita na energia própria das histórias que o encantam (e nos encantam), encenando até às últimas consequências as suas peripécias e também, hélas!, a sua moral. Dito de outro modo: esta é uma fábula crente no poder primitivo do amor e na energia poética que se oculta nas sombras dos séculos.

O vampiro, o vermelho e a Green
Luís Miguel Oliveira, Público de 10 de Maio de 2012

Como geralmente acontece em Burton (com as significativas excepções do preto e branco de Frankenweenie e de Ed Wood), a primeira coisa que lhe interessa é mexer com cores. No seu anterior "Alice no País das Maravilhas" (mais mal amado do que merecia) entretinha-se a brincar com a paleta da pintura inglesa e a compor miniaturas pré-rafaelitas em 3D. Agora (em 2D, uff!), mistura as cores do seu mundo com as do psicadelismo, muito pop (e muito pub: há um gag impagável com o logo da McDonald''s), da América dos anos 70 - terra e tempo a que vai dar o vampiro (a preto e branco, por força da maquilhagem) interpretado por Johnny Depp, duzentos anos depois de ter sido encerrado num caixão pela bruxa (Eva Green) que o ama/odeia, como numa screwball através dos séculos. De resto, apenas uma das duas histórias de amour fou que "Sombras da Escuridão" contém, e que nos faz pensar, por coincidências da distribuição, que aquilo que os surrealistas viam no "Monte dos Vendavais" encontra-lo-iam mais depressa aqui do que na desenxabida versão de Andrea Arnold que agora estreia. Mas sempre as cores: o vampiro é a preto e branco, a bruxa é de todas as cores, verde (até no nome...), azul, vermelha. Vermelha sobretudo, a cor capital, puxado ao extremo da sua sensualidade e do seu simbolismo. Erótico, inclusive: Sombras da Escuridão é mais carnudo do que o Burton habitual, tem uma cena de sexo que é um autêntico monte dos vendavais (o estado em que fica o quarto da bruxa depois dos procedimentos) e, totalmente desconcertante pela sua franqueza quase ordinária, sem par noutro filme de Burton, aquele momento em que Eva Green despe as cuecas (vermelhas, claro) para as depositar no rosto do vampiro amarrado no seu caixão, para que ele tenha alguma coisa em que pensar durante os anos de clausura.

Este erotismo psicadélico compensa bem o ar apressado de boa parte do filme (desde Sweeney Todd que Burton não faz um filme que seja também uma grande “forma”), o desenho mal aproveitado dos secundários (onde pontifica a ex-Catwoman Michelle Pfeiffer), reduzidos a uma espécie de “família Addams” em traço um pouco mais grosso do que seria desejável. E não se perde pela demora, porque o final - os dois finais: são duas, como dissemos, as histórias de amour fou a resolver - é memorável. Corações arrancados do peito, mergulhos no abismo, a maldição (escolhida) como único lugar onde o amor se pode encontrar. Amor e morte: pensamos outra vez num imaginário surrealista, percorrido em todas as colorações e feitios. É um poeta, Burton, e alma dele não se contém nem em filmes relativamente menores como este.

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