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PROGRAMAÇÃO: NOVEMBRO 2014
Sala de exibições
Pequeno auditório
Casa das Artes de V. N. de Famalicão
Parque de Sinçães - V. N. de Famalicão
Sinopse
Dwight (Macon Blair) passou os últimos anos sem rumo, mendigando e recolhendo pela
praia garrafas de plástico que troca por algum dinheiro para sobreviver. A sua vida corre
normalmente até receber a notícia de que Will Cleland foi libertado da prisão após ter cumprido
uma pena de 20 anos por homicídio. Movido por uma sede de vingança, este homem de
aparência inofensiva rouba uma carrinha e uma arma e segue para Virgínia (EUA), onde se
localiza a casa onde nasceu e onde pretende reencontrar Cleland. Mas a desforra que Dwight
deseja acima de tudo vai dar início a um inevitável ciclo de violência que parece não ter fim...
Um "thriller" psicológico assinado por Jeremy Saulnier que marca o regresso do realizador depois do sucesso da comédia de terror "Murder Party", em 2007.
Ficha Técnica
Título original: Blue Ruin (EUA, 2013, 90 min.)
Realização, Argumento e Fotografia: Jeremy Saulnier
Interpretação: Macon Blair, Devin Ratray, Amy Hargreaves
Produção: Anish Savjani, Richard Peete, Vincent Savino
Música: Brooke Blair
Montagem: Julia Bloch
Estreia: 22 de Maio de 2014
Distribuição: Vendetta Filmes
Classificação: M/16
Vidas perdidas
Jorge Mourinha, Público de 22 de Maio de 2014
Uma das mais estimulantes produções recentes do cinema independente americano.
Por trás da aparência de filme de género que percorre a economia directa-ao-assunto de Ruína Azul, está uma das mais estimulantes produções recentes do cinema independente americano. A segunda longa-metragem de Jeremy Saulnier alimenta-se ao mesmo tempo da energia do filme de série B que gente como Don Siegel manteve viva na década de 1970, dos “jovens turcos” que reinventaram o sistema em 1960/1970 e do “ruralismo” por que Jeff Nichols ou Kelly Reichardt têm pugnado ao longo dos últimos anos.
O que, no papel, parece ser a história da vingança de um homem que exige reparações pelo mal que lhe foi feito transforma-se, à medida que a “bola de neve” atinge dimensões inesperadas, numa espécie de elegia angustiada por vidas perdidas em nome de atavismos inexplicáveis. Essa lenta penetração da gravidade emocional numa história clássica do filme policial torna Ruína Azul numa espécie de “gémeo” das Histórias de Caçadeira de Nichols, mas sem nunca perder de vista a necessidade de cumprir as figuras obrigatórias do género; fá-lo apenas por portas travessas, em ziguezagues que explicam melhor aquilo a que Saulnier vem do que fórmulas feitas. Basta, aliás, ver como a primeira (e notável) meia hora do filme consegue, com um mínimo de diálogo e um máximo de eficácia, explicar a premissa, lançar a trama, criar uma personagem e o mundo em que ela se movimenta, e frustrar as expectativas do espectador quanto ao que virá a seguir. Nem tudo o que vem a seguir atinge a excelência deste arranque, mas prova que ainda há inteligência, talento e engenho num cinema independente americano que tomba demasiadas vezes em fórmulas feitas - e Ruína Azul evita-as com desenvoltura.







