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PHOENIX de Christian Petzold

Sinopse

Alemanha, Outono de 1945. Nelly Lenz (Nina Hoss) é uma sobrevivente dos campos de concentração nazis. Apesar de ter escapado à morte, sofreu vários ferimentos que lhe deixaram o rosto totalmente desfigurado. Lene Winter (Nina Kunzendorf), que trabalha para uma agência judaica, cuida dela e leva-a para Berlim, ajudando-a de todas as maneiras que é capaz. Quando, após uma cirurgia de reconstrução facial, Nelly se apercebe de que está quase irreconhecível, Nelly sente-se perdida. É então que decide ficar na cidade e procurar Johnny (Ronald Zehrfeld), o marido, que tudo indica ter sido quem a denunciou às autoridades alemãs. Certo dia, encontram- se. Convencido de que Nelly morreu, Johnny não a reconhece. Mas propõe-lhe um trato: dadas as semelhanças com a esposa que julga falecida, pede-lhe que finja ser ela própria e o ajude a reclamar uma herança em seu nome. Determinada a descobrir a verdade sobre as intenções do homem com quem casou e que nunca deixou de amar, Nelly concorda...

Com argumento e realização do alemão Christian Petzold ("Bárbara"), é a adaptação cinematográfica da obra "Le Retour des Cendres", de Hubert Monteilhet. Em 2014, "Phoenix" recebeu o Prémio da Crítica Internacional (Fipresci) no Festival de Cinema de San Sebastián, no País Basco.

Download do Dossier

Ficha Técnica

Título original: Phoenix (Alemanha, 2014, 98 min.)
Realização e Argumento: Christian Petzold
Interpretação: Nina Hoss, Ronald Zehrfeld, Nina Kunzendorf
Fotografia: Hans Fromm
Produção: Schramm Film Koerner & Weber Bayerischer Rundfunk,
Westdeutscher Rundfunk:
Estreia: 16 de Abril de 2015
Distribuição: Leopardo Filmes
Classificação: M/12

A tragédia de um rosto
João Lopes, Cinemax

Confirma-se a vitalidade de uma tendência para reavaliar as heranças da Segunda Guerra Mundial: "Phoenix", com essa extraordinária actriz que é Nina Hoss, centra-se no drama de uma sobrevivente de um campo de concentração.

Reencontramos em "Phoenix" uma aliança — entre o realizador Christian Petzold e a actriz Nina Hoss — que já tinha sido decisiva em "Barbara" (2012). Neste caso, encenavam um drama situado na Alemanha de leste, na década de 80, num ambiente de perversa repressão dos seres humanos. Agora, são ainda os fantasmas da história alemã que regressam, mas no contexto do fim da Segunda Guerra Mundial.

A tragédia íntima da personagem central, Nelly Lenz (Hoss), está literalmente inscrita no seu rosto: Nelly sobreviveu num campo de concentração, tendo ficado com o rosto desfigurado; a operação que faz dá-lhe novas feições, não sendo reconhecida pelos seus mais próximos, incluindo o marido Johannes (Ronald Zehrfeld). Mais do que isso: no clima de perseguição aos judeus, Johannes poderá ter sido aquele que a denunciou aos nazis...

Sustentado por uma exemplar direcção de actores, o trabalho de realização de Petzold envolve dois vectores complementares: por um lado, a odisseia de Nelly expõe-na à terrível tarefa de reencontrar um lugar (físico e emocional) para viver; por outro lado, o pano de fundo para tudo isso está longe de ser meramente decorativo, uma vez que surge marcado por uma teia de negações e traições inerente à reconstrução do próprio país.

Sem hesitar na afirmação de um realismo social e psicológico extremamente elaborado, "Phoenix" é, afinal, mais um título que ilustra a energia da vaga de obras sobre a Segunda Guerra Mundial (alemães e não só) que temos vindo a observar desde o lançamento de "Lore" (2013), de Cate Shortland. Muito para além das regras tradicionais do "filme-de-guerra", trata-se, agora, de observar os labirintos dos mais inusitados destinos individuais.

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