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À beira do Tejo, numa antiga comunidade piscatória, um homem vive entre a tranquilidade solitária do rio e as relações que o ligam à terra. TERRA FRANCA retrata a vida deste pescador, atravessando as quatro estações que renovam os ciclos da natureza e acompanham as contingências da vida de Albertino Lobo. Um filme de Leonor Teles que conquistou o Urso de Ouro em Berlim com a curta Balada de um Batráquio. Prémio Internacional SCAM no Festival Cinéma Du Réel (2018) e Prémio ETIC para Melhor Filme da Competição Portuguesa no Doclisboa.
Terra Franca – Doc Lisboa, Luis Mendonça, à pala de WalshMais um retrato de um homem e mais um acto de amor (e ternura) pelas mãos de uma auspiciosa jovem realizadora. Falo de Terra Franca (2018), de Leonor Teles. Desde logo, o título é de uma enorme felicidade, porque o que mais comove aqui é a franqueza desta que é a primeira longa- metragem da realizadora do multipremiado Balada de um Batráquio (2016). Neste retrato de um pescador, que se vê impossibilitado de exercer a sua profissão, encontramos a generosa frescura de um olhar. Este homem é pescador, mas também é marido e pai. O filme de Leonor Teles olha para esta pessoa – pessoa inteira – como um todo, captura a respiração e o tempo da sua vida. Um amigo meu, perante o meu entusiasmo por este filme, que me deixou com um sorriso no rosto após a sessão, dizia-me: “é bom, mas não é nada d’outro mundo”. Também ele não podia ser mais feliz na escolha das palavras: Terra Franca é um filme inteiramente “deste mundo”, um elogio à vida a partir do retrato de um homem bom. Não cai – como cai algum cinema de João Canijo/Anabela Moreira, por exemplo – na tentação de exaltar a bonomia, e eventual profundidade, destas pessoas vistas como “gente simples”, porque o filme de Leonor Teles não procura qualquer tipo de demagogia. Muito atentamente, a câmara olha, de igual para igual, para este homem com o intuito de o mostrar tal como ele é, dispensando discursos de algibeira ou fascínios bacocos “de cima para baixo”. Entre silêncios, olhares, comentários, perambulações reais ou sonhadas no estuário do Tejo, acedemos à vida do protagonista que, além da presença de estrela de cinema, tem o carisma das pessoas francas e boas. A bondade dele é a bondade, e generosidade, do filme. Saímos daqui reconciliados com a vida. Filme deste mundo? Sim, de um mundo que também queremos nosso.