CINECLUBE DE JOANE

Setembro 2019
Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão

Programa mensal

de Lee Chang-Dong
5 SET 21h45
de Samuel Maoz
12 SET 21h45
de Mark Cousins
19 SET 21h45
de Harmony Korine
26 SET 21h45

As sessões realizam-se no Pequeno auditório da Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão. Os bilhetes são disponibilizados no próprio dia, 30 minutos antes do início das mesmas.

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19 21h45

OS OLHOS DE ORSON WELLES Mark Cousins Traz Outro Amigo Também

Realizado pelo conhecido crítico e historiador de cinema Mark Cousins, este documentário é uma viagem ao universo pictórico de Orson Welles (1915 – 1985), o lendário realizador de “Citizen Kane - O Mundo a Seus Pés” (1941), “O Estrangeiro” (1940), “O Terceiro Homem” (1949), “O Génio do Mal” (1959), “O Processo” (1962), “As Badaladas da Meia-Noite” (1965) ou “F for Fake” (1973), entre outros. Desenhos, pinturas e trabalhos inéditos são agora mostrados graças a Beatrice Welles, filha do realizador com a actriz e aristocrata italiana Paola Mori. É o segundo documentário de 2018 sobre o realizador, a par de “Amar-me-ão Quando Eu Morrer”, de Morgan Neville, lançado em conjunto com o recém-finalizado “O Outro Lado do Vento”. Festival de Cannes - Prémio L'Oeil d'Or - Menção Especial

Título original: The Eyes of Orson Welles (Grã-Bretanha, 2018, 115 min)
Realização, Argumento e Fotografia: Mark Cousins
Música: Matt Regan
Produção: Mary Bell e Adam Dawtrey
Distribuição: Midas Filmes
Estreia: 12 de Junho de 2019
Classificação: M/12
Na companhia de um cinéfilo, João Lopes, Cinemax

O crítico de cinema irlandês Mark Cousins volta a convocar-nos para uma fascinante viagem cinematográfica: em "Os Olhos de Orson Welles", tudo passa pelos desenhos e pinturas do autor de "O Mundo a Seus Pés".
A história do cinema não é, nem de longe nem de perto, um inventário de "filmes" e "autores" que se leia como a ilustração de uma qualquer lógica determinista. O crítico de cinema irlandês Mark Cousins já o tinha demonstrado com a sua notável obra documental "História do Cinema: Uma Odisseia", um monumento de meticulosa investigação ao longo de 15 horas de duração (disponível no mercado do DVD).
Dir-se-ia que, através de "Os Olhos de Orson Welles", Cousins acrescenta um capítulo à sua história, confirmando que os seus sentidos (históricos, precisamente) não são um fim em si mesmo, antes se confundem com uma questão sempre em aberto. Dito de outro modo: através da cumplicidade da filha do cineasta, Beatrice Welles, Cousins acedeu a um imenso espólio de desenhos e pinturas que nos leva a descobrir um "novo" Welles.
Em boa verdade, tais desenhos e pinturas surgem como pontuações, ora didácticas, ora irónicas, descritivas e analíticas, daquilo que Welles ia vendo ou imaginando. Muitas das obras têm, como é óbvio, uma relação directa com os filmes, em particular com os "shakespeareanos", com destaque para "As Badaladas da Meia-Noite" (1965), antecipando guarda-roupa ou cenários — mas há sempre nelas uma visão suplementar que, de alguma maneira, nos permite aceder ao Welles visionário.
"Os Olhos de Orson Welles" consegue, em última instância, ensinar-nos a compreender que qualquer história dos elementos cinematográficos se escreve sempre para lá da especificidade desses elementos. Em tempos de aceleração do marketing dos filmes e apagamento de muitas memórias cinematográficas, Cousins é um bom companheiro cinéfilo.