Siga-nos no Facebook / Twitter!

PROGRAMAÇÃO:
DEZEMBRO de 2012

Filme
DEZ
6
Foto
Julie Delpy

Filme
DEZ
12
Foto
Richard Brooks
* ENTRADA LIVRE!

Filme
DEZ
13
Foto
Roman Polanski

Filme
DEZ
19
Foto
Jacques DEMY
* ENTRADA LIVRE!

Filme
DEZ
20
Foto
Joachim Trier
* TRAZ OUTRO AMIGO TAMBÉM!

Sala de exibições Pequeno auditório
Casa das Artes de V. N. de Famalicão
Parque de Sinçães - V. N. de Famalicão

bottom corner
 
   

OSLO, 31 DE AGOSTO de Joachim Trier

Sinopse

Anders é um toxicodependente numa clínica de recuperação. No dia 30 de Agosto, como teste à sua reintegração, passa um dia inteiro em Oslo, longe da protecção e segurança da clínica. Assim, depois de visitar Thomas, um dos seus amigos mais próximos, vai a uma entrevista de emprego onde, num momento de fraqueza, se assume como drogado e incapaz de regressar à normalidade. De seguida, vagueia pelas ruas, encontrando várias pessoas do seu passado que o ajudarão a perceber onde chegou. Contudo, apesar dos seus 34 anos, Anders perdeu o gosto pela vida e sente que, independentemente do que possa fazer, já nada poderá voltar a ser como dantes.

Estreado em 2011 no Festival de Cannes, um filme dramático com realização de Joachim Trier.

Download do Dossier

Ficha Técnica

Título original: Oslo, 31. august (Noruega, 2011, 95 min.)
Realização: Joachim Trier
Interpretação: Anders Danielsen Lie, Hans Olav Brenner, Ingrid Olava
Argumento: Joachim Trier, Eskil Vogt
Produção: Hans-Jørgen Osnes, Yngve Sæther
Musica: Torgny Amdam, Ola Fløttum
Fotografia: Jakob Ihre
Montagem: Olivier Bugge Coutté, Gisle Tveito
Distribuição: Alambique Filmes
Estreia: 30 de Agosto de 2012
Classificação: M/12

Críticas

Oslo, 31 de Agosto é um dos grandes filmes do ano: notável melodrama clássico sobre as questões essenciais da vida moderna
Jorge Mourinha, Público de 30 de Agosto de 2012

A primeira coisa que dá vontade de dizer sobre "Oslo, 31 de Agosto" é “daqui ninguém sai vivo”, para citar a célebre biografia de Jim Morrison. Mas talvez fosse mais apropriado dizer que ninguém sai deste filme incólume, intocado; porque o que aqui se faz é, simplesmente, fazer as perguntas “que interessam”, aquelas que toda a gente faz a si próprio regularmente: o que fazemos aqui, o que queremos da vida, quem somos bem lá no fundo. São as perguntas mais simples, porque cabem numa frase, mas as mais complexas, porque não se respondem numa frase ou em duas palavras - e o que Joachim Trier faz é encenar esse questionamento com uma notável capacidade de não o reduzir a banalidades ou a simplificações.

Precisamente porque esta é a história de alguém que observa a vida como se estivesse de fora, alguém que regressa ao mundo depois de uma longa ausência e se pergunta se vale a pena tentar recuperar a vida que desperdiçou, se há alguma coisa neste “mundo real” para ele. Esse alguém que regressa ao mundo é Anders, drogado em reabilitação que regressa a Oslo pelo tempo de 24 horas, revisitando uma cidade onde tudo o recorda dessa vida anterior que sente ter desperdiçado. É uma interpretação assombrosa de Anders Danielson Lie, que habita literalmente a dor existencial de Anders, a sua capacidade de observar sem nunca sentir que faz parte do mundo que o rodeia, com uma presença que, à imagem do filme, é simultaneamente física e fantasmagórica.

Como se tudo funcionasse ao mesmo tempo num plano intimista, acompanhando a jornada interior de Anders, e num plano social, onde o seu questionamento interior é indissociável da sociedade em que a sua crise pessoal está a acontecer. Perguntando-se o que será melhor: seguir (para citar outra vez o rock'n'roll) o “better burn out than fade away” que Neil Young cantou em “Hey Hey My My (Into the Black)”, ou procurar acomodar-se a um lugar numa sociedade da qual sempre se procurou distanciar?

Qualquer que seja a resposta, Oslo, 31 de Agosto começa com um tour-de-force extraordinário - dez minutos puramente narrativos quase sem diálogo - antes de ganhar embalo para um filme que segue os ritmos do melodrama clássico mas o faz de modo moderno, com uma espantosa humanidade, de uma simplicidade atenta e observacional aos ritmos e às energias do mundo moderno, de uma maturidade extraordinária para apenas uma segunda obra. O facto de, no final, percebermos que se trata de uma adaptação - da novela de Pierre Drieu de la Rochelle que já inspirara a Louis Malle um dos seus grandes filmes, Fogo Fátuo (1963) - não lhe retira nem um grama do que o torna num dos mais extraordinários, grandíssimos filmes que vimos nos últimos meses. Porque ninguém sai deste filme incólume, intocado - para o bem ou para o mal.

Intimidade norueguesa
João Lopes, Cinemax

Discretamente, neste nosso Verão cinematográfico, chega um retrato de um toxicodependente que tenta reconstruir a sua vida: "Oslo, 31 de Agosto" tem uma bela interpretação de Anders Danielsen Lie.

Eis um bom exemplo das "margens" de um mercado. Eis, acima de tudo, um exemplo de um filme que merecia mais do que uma discreta presença nas salas... Merece, acima de tudo, que os espectadores descubram a sua delicada sensibilidade e rigor dramático: "Oslo, 31 de Agosto" é um retrato íntimo da toxicodependência, evitando estereótipos e discursos moralistas.

Proveniente da Noruega, realizado por Joachim Trier, "Oslo, 31 de Agosto" encena a experiência de um toxicodependente que, depois de um período de tratamento, tenta encontrar aqueles que, de uma maneira ou de outra, marcavam a sua existência. Mais do que uma crónica "sociológica", trata-se de um retrato individual, tão especial quanto irredutível.

Mantendo-se num registo de austero realismo, "Oslo, 31 de Agosto" tem as suas raízes num outro filme e, através deste, num romance. Mais concretamente: foi em 1963, em pleno período de euforia da Nova Vaga francesa, que Louis Malle dirigiu "Le Feu Follet/Fogo Fátuo", uma desencantada visão da experiência de um homem alcoólico que tentava refazer a sua existência; na origem do filme de Malle estava o romance homónimo de Pierre Drieu La Rochelle, publicado nos anos 30.

Em qualquer dos casos, a contribuição dos actores é decisiva. Na versão de 1963, Maurice Ronet, um actor nem sempre devidamente lembrado, era o protagonista. Agora, sob a direcção de Joachim Trier, descobrimos o magnífico Anders Danielsen Lie: num registo de grande contenção, ele consegue expor as convulsões de uma história que transcende qualquer lógica "novelesca".

bottom corner