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VÉNUS DE VISON de Roman Polanski

Sinopse

Há semanas que Thomas (Mathieu Amalric) tenta encontrar a actriz perfeita para "Venus in Furs", a famosa obra do austríaco Leopold von Sacher-Masoch, que agora pretende levar aos palcos de Paris. Ao final de mais um dia, aparece Vanda, uma mulher intempestiva e desmiolada que, apesar de tudo, tem qualquer coisa de extraordinariamente sedutor. Assim, mesmo relutante, Thomas deixa-a tentar a sua sorte numa audição privada onde fica assombrado com a sua entrega a Wanda von Dunayev, a protagonista. É assim que, durante uma longa e estranhíssima audição, a atracção de Thomas por Vanda começa a crescer até se transformar numa obsessão sem limites...

Um filme com argumento e realização de Roman Polanski ("Repulsa", "O Pianista", "O Escritor Fantasma", "O Deus da Carnificina") que adapta a peça de David Ives.

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Ficha Técnica

Título original: La Vénus à la Fourrure (Alemanha / França, 2013, 96 min.)
Realização: Roman Polanski
Interpretação: Emmanuelle Seigner, Mathieu Amalric
Produção: Robert Benmussa, Alain Sarde
Argumento: David Ives, Roman Polanski
Musica: Alexandre Desplat
Fotografia: Paweł Edelman
Montagem: Hervé de Luze, Margot Meynier
Classificação: M/12
Estreia: 14 de Novembro de 2013
Distribuição: Pris Audiovisuais

Críticas

A vida através do teatro
João Lopes, Cinemax

O teatro sempre foi uma componente importante do cinema de Roman Polanski: agora, regressa com o admirável "Vénus de Vison", segundo uma peça de David Ives, por sua vez inspirada nos temas de Sacher-Masoch.

Mais de quarenta anos passados sobre a sua versão de "Macbeth" (1971), parece que Roman Polanski voltou ao gosto pelo teatro. Assim, depois de "O Deus da Carnificina" (2011), baseado num texto de Yasmina Reza, descobrimo-lo a adaptar um outro texto teatral, neste caso do americano David Ives: "Vénus de Vison" ("La Vénus à la Fourrure", estreado no passado mês de Maio, no Festival de Cannes).

O menos que se pode dizer de "Vénus de Vison" é que, justamente, extrapola até às mais desconcertantes consequências as relações entre o artifício do teatro e as matérias da vida. Ou, se quiserem: as sobreposições da ficção e da realidade.

Basta dizer que esta é a história de um encontro de invulgares ecos simbólicos: um encenador (Mathieu Amalric) e uma actriz (Emmanuelle Seigner) vivem as atribulações de um casting para uma peça inspirada nos temas de Sacher-Masoch e, mais especificamente, do seu lendário romance de 1870, intitulado "La Vénus à La Fourrure".

O que é extraordinário no trabalho de Polanski é o facto de ele não estar preocupado em escolher a vida contra o teatro (ou o contrário). O que ele filma não é tanto uma dicotomia, mas uma complementaridade: no limite, descobrimos que a teatralidade das máscaras funciona também como um instrumento de revelação dos enigmas mais fundos das personagens, nomeadamente os de natureza sexual.

Amalric e Seigner são admiráveis no protagonismo de um filme que, afinal, se constrói a partir das suas relações num cenário único (uma sala de teatro). Será preciso relembrar que, para além da subtil inteligência formal da sua mise en scène, Polanski continua a ser um invulgar director de actores?

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