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PROGRAMAÇÃO: ABRIL 2014

Filme
ABR
3
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Hong SANG-SOO

Filme
ABR
10
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Abdellatif KECHICHE

Filme
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16
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Glauber ROCHA
* ENTRADA LIVRE!
Filme
ABR
17
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Roman POLANSKI
* TRAZ OUTRO AMIGO TAMBÉM!

Filme
ABR
22
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Paulo Lima
* sessão com a presença do realizador

Filme
ABR
24
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Salomé LAMAS
* incluído nas comemorações do 40.º aniversário do 25 de Abril, promovidas pela Câmara Municipal de V. N. de Famalicão

Sala de exibições Pequeno auditório
Casa das Artes de V. N. de Famalicão
Parque de Sinçães - V. N. de Famalicão

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A VIDA DE ADÈLE: CAPÍTULOS 1 E 2 de Abdellatif Kechiche

Sinopse

Adèle tem 15 anos e, tal como todas as raparigas que conhece, namora com rapazes. Tudo aquilo em que acredita se altera quando o seu olhar se cruza com o de Emma, uma rapariga de cabelo azul, cuja visão da vida e do mundo é muito diferente da sua. Entre elas nasce um amor e desejo profundo que, apesar das dificuldades, as fará crescer e afirmar-se enquanto mulheres.

Com argumento e realização do franco-tunisino Abdellatif Kechiche ("A Esquiva", "O Segredo de um Cuscuz", "Vénus Negra"), foi o vencedor da Palma de Ouro da 66.a edição do Festival de Cannes, cujo júri quis, com este prémio, homenagear não apenas o trabalho do realizador, mas também o de Léa Seydoux e Adèle Exarchopoulos, as duas actrizes protagonistas. "A vida de Adèle" é a adaptação cinematográfica da premiada novela gráfica "Le Bleu est une couleur chaude", de Julie Maroh.
Festival de Cannes – Palma de Ouro, Prémio FIPRESCI

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Ficha Técnica

Título original: La Vie d'Adèle (Espanha / França / Belgica, 2013, 179 min.)
Realização: Abdellatif Kechiche
Interpretação: Léa Seydoux, Adèle Exarchopoulos, Salim Kechiouche
Argumento: Abdellatif Kechiche, Ghalya Lacroix
Fotografia: Sofia El Fani
Montagem: Camille Toubkis, Albertine Lastera, Jean-Marie Lengelle, Ghaly Lacroix
Som: Jean-Paul Hurier, JÉrôme Chenevoy
Estreia: 28 de Novembro de 2013
Distribuição: Leopardo Filmes
Classificação: M/16

Críticas

Amor de perdição, séc. XXI
João Lopes, Cinemax de 28 de Novembro de 2013

Foi a Palma de Ouro do Festival de Cannes: "A Vida de Adèle" confirma o carácter excepcional do cinema de Abdellatif Kechiche, retratista das mais complexas emoções humanas. Com duas actrizes em estado de graça.

Provavelmente, devemos falar de um filme como "A Vida de Adèle" (vencedor da Palma de Ouro de Cannes/2013) a partir da estupidez corrente que, através do imaginário narrativo das telenovelas, transforma a sexualidade numa espécie de "revelador" mais ou menos escabroso da intimidade... Basta ver a agitação que invade certas forma de intervenção de alguma comunicação social (de cor mais ou menos rosácea), cada vez que algum actor ou actriz expõe alguns milímetros de nudez...

Parece caricato. E é, sobretudo se nos lembrarmos que o cinema filmou os seus primeiros nus há cerca de um século — além de que, de uma maneira ou de outra, para o melhor e para o pior, a representação da nudez se tornou algo de bizarramente, virtualmente corrente.

O que está em jogo, como sempre, não se mede pela banal exposição física do corpo. Cinematograficamente, tem a ver com o modo como se filma um corpo. E é aí que começa a diferença do trabalho de Abdellatif Kechiche, autor de obras tão marcantes como "A Esquiva" (2003), "O Segredo de um Cuscuz (2007) e "Vénus Negra" (2010), todas elas lançadas nas salas portuguesas.

Para Kechiche, em "A Vida de Adèle", não se trata de mostrar como a história de Adèle e Emma se transfigura através do seu envolvimento sexual. A questão é outra e, sobretudo, é de outra natureza: a sexualidade representa tão só um índice através do qual ecoa a própria perplexidade de cada personagem, perdida na teia dos seus desejos — perdida, de facto, porque este é um amor de perdição vivido neste nosso séc. XXI em que, não poucas vezes, nos sentimos à deriva através da contradição entre o liberalismo dos costumes sociais e a intensidade dos enigmas que, contra qualquer ilusão liberal, continuam a habitar a intimidade dos seres humanos.

Será preciso relembrar que, na austeridade do seu realismo, Kechiche é também um admirável director dos seus intérpretes? Nos papéis de Adèle e Emma, Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux distinguem-se por uma forma de entrega (que se confunde com o mais puro abandono) em que todos os gestos envolvem a complexidade de qualquer relação amorosa. E a beleza que isso transporta.

No limite, aquilo que "A Vida de Adèle" consegue é infinitamente mais intenso que todas as medidas impostas pelos agrimensores da nudez. Em boa verdade, a sexualidade pontua os sinais mais discretos, por vezes mais comoventes, de um filme, também ele, feito a partir de um profundo amor pelo factor humano — este é um cinema em que um movimento da boca, uma hesitação do olhar ou apenas uma mão que suspende o seu gesto podem envolver o mais radical erotismo. E a angústia que isso contém.

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