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O PEQUENO QUINQUIN de Bruno Dumont _ 4 de Junho de 2015

Sinopse

O capitão Van der Weyden e o seu parceiro Carpentier investigam um caso particularmente macabro. Numa pequena aldeia francesa, foi encontrada uma vaca morta com restos humanos dentro da sua barriga. Enquanto deslindam o mistério e tiram as suas conclusões, os investigadores são constantemente importunados pelo pequeno Quinquin e a sua namorada, Eve, duas crianças que se aborrecem por não ter nada para fazer e que insistem em investigar por conta própria.

Uma comédia burlesca em tom de policial que conta com a realização do francês Bruno Dumont ("Hadewijch", "Fora, Satanás", "Camille Claudel, 1915") e com a participação dos actores Bernard Pruvost, Philippe Jore, Alane Delhaye e Lucy Caron.

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Ficha Técnica

Título original: P'tit Quinquin (França, 2014, 197 min)
Realização e Argumento: Bruno Dumont
Interpretação: Bernard Pruvost, Philippe Jore, Lucy Caron, Alane Delhaye
Fotografia: Guillaume Deffontaines
Produção: 3b Productions, Arte
Estreia: 12 de Fevereiro de 2015
Distribuição: Leopardo Filmes
Classificação: M/12

O filme, que a revista Les Inrocks considerou “um cruzamento improvável entre « Twin Peaks », « Freaks » e « Bem-vindo ao Norte»”, começou por ser uma série de televisão produzida pelo canal franco-alemão ARTE. No entanto foi na sua versão Widescreen (que o realizador vê como a definitiva) que o filme se estreou na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes. Desde então tem recolhido os maiores elogios por parte da crítica internacional e também do público. O PEQUENO QUINQUIN foi selecionado para o Festival de Toronto e para a Mostra de São Paulo (onde venceu uma Menção Especial do Prémio da Crítica), entre muitos outros.

Nas páginas da Cahiers du Cinéma pôde ler-se que O PEQUENO QUINQUIN é “um gesto radical, definitivo, por um cineasta que sabe não ter mais nada a provar”. Já a Variety considerou que o filme é “um policial maravilhosamente estranho e inesperadamente hilariante”. O tom humorístico é, aliás, um dos factores que têm atraído mais atenção para o filme de Dumont, cineasta que habituou o seu público a um registo particularmente oposto. Ao longo da sua carreira, Bruno Dumont já conquistou dois Grandes Prémios do Júri no Festival de Cannes e a maior parte das suas obras estrearam-se nas selecções oficiais dos principais festivais de cinema do mundo. A Leopardo Filmes tem estreado nos cinemas nacionais os últimos filmes do cineasta, incluindo “Hadewijch”, “Fora, Satanás” e “Camille Claude, 1915”.

«Se David Lynch tivesse situado o seu “Twin Peaks” na província francesa, o resultado teria sido, provavelmente, algo como “O Pequeno Quinquin”, de Bruno Dumont. Facto: à primeira vista, pouco religa entre si o surrealismo de Lynch e o naturalismo de Dumont (sempre preocupado com a relação entre a natureza e a violência, a loucura e a graça). Porém, numa ótica temática, os dois cineastas partilham uma obsessão comum pela questão do mal, explorando (cada um a seu modo) o conjunto de forças subterrâneas que corrompem os espaços e os corpos. Pois bem: é justamente o desejo de auscultar o coração do mal que rege a ação de “O Pequeno Quinquin” [...] que se instala numa aldeia costeira do norte de França para seguir os passos da personagem do título: uma criança na casa dos 12 anos que, nas férias do verão, passa os dias na rua a brincar com os amigos.»
Vasco Baptista Marques, Expresso

«Começou por ser uma encomenda do canal Arte para uma mini-série de quatro episódios, 3h20 minutos, que fora de frança vai ser exibida em sala, versão Cinemascope. A revista Cahiers du Cinéma considerou-a o melhor filme do ano. Esse é um primeiro sobressalto – televisão ou cinema? É a desfaçatez de O Pequeno Quinquin: Dumont aproveita-se da oportunidade para, jogando com as expectativas, com as possibilidades de aleatório, de um divertimento viciante, obsessivo, que vai reformulando os seus centros de atenção (fantasma Twin Peaks), ser mais ele mesmo e não ser apenas mais do mesmo (já agora, há interesse da Arte em mais episódios). O segundo sobressalto é o humor. Dumont tem graça? Houve quem achasse divertido, houve quem achasse cínico. Mas uns e outros viram aqui uma primeira vez.»
Vasco Câmara, Público

Do realismo ao delírio burlesco
João Lopes, Cinemax

Eis um belíssimo exemplo de colaboração cinema/televisão: concebido como mini-série televisiva, "O Pequeno Quinquin" é também uma longa-metragem de cinema — a tradição do realismo francês é retomada e reconvertida num delicioso registo de comédia.

A história de Quinquin (Alane Delhaye) e da sua namorada Ève (Lucy Caron) tem qualquer coisa de visceralmente romântico: ele está loucamente apaixonado por ela e, durante as férias, dão grandes passeios de bicicleta... Em todo o caso, o filme "O Pequeno Quinquin" é menos uma celebração romântica e mais um mergulho nas vidas esquecidas de uma pequena povoação da zona de Pas-de-Calais, no norte de França. Drama, então? Não, antes uma insólita e saborosa comédia!

É verdade: o realizador Bruno Dumont — que conhecemos através de títulos como "A Humanidade" (1999), "Hadewijch" (2009) ou "Camille Claudel 1915" (2013) — mantém-se fiel ao asssombrado realismo do seu universo para construir uma narrativa que vai deslizando para uma ambiência de absurdo, pontuado por delirantes marcas burlescas.

À partida, existe um pretexto mais ou menos policial: a descoberta de um crime macabro nos campos em que Quinquin gosta de se refugiar. Em todo o caso, a investigação que se desenvolve, conduzida pela surreal personagem do comandante Van der Weyden (Bernard Pruvost), não vive tanto desse mistério, como dos enigmas ambulantes que são as personagens desta farsa afinal encenada à flor da pele — e os espantosos actores locais, completamente amadores, não serão alheios à singularidade dos resultados.

Produzido pelo canal franco-alemão Arte, "O Pequeno Quinquin" constitui um exemplo modelar de uma inventiva articulação cinema/televisão (que, neste caso, gerou um objecto que é, de uma só vez, uma mini-série e uma longa-metragem para as salas escuras). Acima de tudo, Dumont demonstra que é possível trabalhar através de convenções mais ou menos correntes, gerando uma obra que transcende lugares-comuns éticos e estéticos.

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