CINECLUBE DE JOANE

Novembro 2019
Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão

Programa mensal

de Claire Denis
7 NOV 21h30
de Pedro Costa
14 NOV 21h45
de João Maia
21 NOV 21h45
de Bong Joon Ho
28 NOV 21h45

As sessões realizam-se no Pequeno auditório da Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão. Os bilhetes são disponibilizados no próprio dia, 30 minutos antes do início das mesmas.

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7 21h30

HIGH LIFE + Le Voyage Dans La Lune Claire Denis Entrada livre


Filme-concerto; sessão em parceria com o Festival Binnar, que inclui: 16mm - "Le Voyage Dans La Lune”

Para lá dos limites da Terra, muito além do Sistema Solar, Monte e a sua filha Willow vivem em total isolamento numa astronave. Vários anos antes, ele e um grupo de criminosos condenados aceitaram trocar as suas penas pela participação num projecto espacial. Foi-lhes dito que a missão teria como propósito encontrar energias alternativas contidas num buraco negro. Contudo, já em órbita, depressa se dão conta que a misteriosa Dra. Dibs lhes mentiu. Na verdade, estavam inseridos numa experiência inovadora de reprodução humana. E foi essa experiência que deu origem a Willow, o primeiro ser humano nascido fora dos limites da Terra. Ao longo do tempo, todos os tripulantes da nave morreram. Excepto pai e filha. Primeira incursão em língua inglesa pela realizadora francesa Claire Denis (“35 Shots de Rum”, “O Meu Belo Sol Interior”), uma história de ficção científica que segue um argumento escrito por si e Jean-Pol Fargeau.

Título original: High Life (EUA/Grã-Bretanha/Polónia/Alemanha/França, 2018, 110 min.)
Realização: Claire Denis
Interpretação: Robert Pattinson, Juliette Binoche, André Benjamin
Argumento: Claire Denis e Jean-Pol Fargeau
Musica: Stuart A. Staples
Fotografia: Yorick Le Saux
Montagem: Guy Lecorne
Produção: Andrew Lauren, D.J. Gugenheim, Laurence Clerc, Oliver Dungey, Christoph Friedel, Claudia Steffen, Olivier Théry-Lapiney
Estreia: 12 de Junho de 2019
Distribuição: NOS Audiovisuais
Classificação: M/16

16mm é um projecto dos galegos Macarena Montesinos (violoncelo) e Paulo Pascual (theremin e guitarra) que trabalha com a composição, interpretação e improvisação de cinema musicado ao vivo. À encomenda do BINNAR para a criação de uma banda-sonora para "Le Voyage Dans la Lune" de Méliès, o grupo junta-lhe o imaginário de Segundo de Chomón.

O ponto G, o zero e o infinito Jorge Mourinha, Publico de 12 de Junho de 2019

O novo filme de Claire Denis lança a Binoche e o Pattinson para o espaço numa missão suicida. Mas é das relações humanas que este ovni casmurro e hipnótico nos fala.
Se Claire Denis já tinha feito aquilo que sabemos com o filme de vampiros em Trouble Every Day, não seria de prever que a sua incursão na ficção científica fosse mais convencional.
A cineasta francesa, um dos nomes mais reverenciados do actual cinema de autor global (Nenette & Boni, 35 Shots de Rum, O Meu Belo Sol Interior), é aquilo a que as convenções chamam de “gosto adquirido”, permanentemente num meio termo desconfortável entre a abstracção teórica e a sensualidade corporal, sempre na corda bamba entre o cérebro e o corpo — mas onde o corpo e a necessidade de contacto leva, quase sempre, vantagem. High Life é mais um passo nessa dualidade, transposta para a claustrofobia concentracionária de uma nave- prisão em missão suicida aos confins do universo, transportando uma tripulação de cadastrados (encabeçada por Robert Pattinson e André Benjamin dos Outkast), mas onde a própria cientista- supervisora (Juliette Binoche) é também uma prisioneira. E as experiências que a Binoche leva a cabo nos seus colegas de infortúnio estão algures entre o exorcismo e o abandono, entre a sinceridade e a crueldade — ou seja, uma metáfora perfeita para a complexidade das relações humanas.
High Life, cheio de ironias e elipses, faz as ambições líricas do Solaris de Tarkovsky cruzarem-se com a geometria gélida do 2001 de Kubrick, com uma versão trash do Abismo Negro da Disney, do Cosmonauta Perdido de Douglas Trumbull, do Sunshine de Alex Garland e Danny Boyle. Mas estes são apenas alguns dos estilhaços de cinema que o filme misteriosamente invoca — porque High Life abstrai a sua história ao ponto da desintegração, porque o que lhe interessa, realmente, é o impulso humano, o prazer, o desejo, e perceber o que sobra do humano confrontado com o nada, com o vazio. Fale-se o que quiser da célebre e infame “fuckbox” onde Binoche goza violentamente e que se tornou no “ponto G” da reputação de High Life, o que interessa é o modo como tudo neste filme casmurro e divisivo e desafiadoramente pessoal recusa a facilidade e a lógica linear para se tornar num sonho surreal, de fantasmagoria hipnótica e eternamente nocturna. High Life é, em todos os sentidos que a palavra tem, um ovni — e isso é dizer algo quando o cinema de Claire Denis é, todo ele, feito de ovnis. Goste-se ou não, não há muitos filmes assim por aí. Nós gostamos.