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PROGRAMAÇÃO:
JANEIRO de 2013
Sala de exibições
Pequeno auditório
Casa das Artes de V. N. de Famalicão
Parque de Sinçães - V. N. de Famalicão
BELLAMY de Claude Chabrol
Sinopse
É Verão. E como todos os verões, o comissário Paul Bellamy (Gérard Depardieu) vai de
férias para Nimes, no Sul de França, onde se situa a velha casa de família de Françoise (Marie
Bunel), a sua mulher. Ela, por seu turno, está ali contrariada pois o que realmente desejava era
estar longe, de preferência num luxuoso cruzeiro. Paul adora a mulher, mas detesta viajar e, por
isso, todas as desculpas são boas para o evitar. Ao casal vem juntar-se Jacques (Clovis
Cornillac), o meio-irmão de Bellamy, que está a atravessar uma fase difícil da sua vida. Porém,
aquelas férias que prometiam muita paz e sossego para Bellamy vão revelar-se estranhamente
agitadas quando o comissário é abordado por Noël Gentil (Jacques Gamblin), um homem
enigmático, que lhe pede ajuda para um caso e que, aparentemente, não aceita um não como
resposta.
Uma comédia negra com argumento e realização do aclamado realizador Claude Chabrol e fotografia do português Eduardo Serra.
Ficha Técnica
Título original: Bellamy (França, 2009, 110 min)
Realização: Claude Chabrol
Interpretação: Gérard Depardieu, Clovis Cornillac, Jacques Gamblin
Argumento: Claude Chabrol, Odile Barski
Produção: Patrick Godeau
Musica: Matthieu Chabrol
Fotografia: Eduardo Serra
Montagem: Monique Fardoulis
Distribuição: Zon Lusomundo
Estreia: 25 de Outubro de 2012
Classificação: M/12
Críticas
Comédia negra com vista para o abismo
Luis Miguel Oliveira, 25.Out.2012
O espectador perante o Mal e a sua irrevogável força.
Três anos e oito meses depois da sua estreia em França, e dois anos depois da morte do seu realizador, eis que o último filme de Chabrol, Bellamy, chega às salas portuguesas. Que o bizarro timing não nos distraia, nem ao rarefeito público de Chabrol: o homem foi Chabrol até ao fim, e mesmo que Bellamy não pertença ao top ten da sua filmografia vale muito a pena ver. É, a vários títulos, Chabrol “puro”, nos detalhes (a província francesa, no caso Nimes; o âmbito criminal) como no essencial (a moralidade como grande imbróglio, em circuito subterrâneo progressivamente contaminado). Por acaso, até acaba com uma citação de Auden - “há sempre outra história” - que bem podia ser o resumo final de uma obra construída sob o signo, muito hitchcocko-langiano, da conspiração, e da diferença entre aparências e essências. Chabrol podia não saber que não filmava mais, mas se assim foi o acaso (coisa também bastante chabroliana) fez bem o seu trabalho.
Também o tom é Chabrol puro, e no seu mais refinadamente escarninho. O espectador já esteve sempre a levar coices, surpreendido pela comédia quando se pensa instalado no drama, e pelo drama quando se pensa na comédia (porque é tudo a mesma coisa, “a comédia da vida” e o “drama da vida”, e aí Chabrol sempre teve o seu quê de renoiriano). Mas também surpreendido pelas digressões, pelas cenas que parecem “ao lado” de um filme que se estrutura como um inquérito criminal mas que se resolve também como trama - grave e ligeira - de incidência doméstica (o inspector e a sua mulher) e familiar (o inspector e o seu meio-irmão, o seu meio- irmão e a mulher do inspector).
O inspector é Depardieu, cada vez mais uma grande “massa” fascinante de ver em movimento. E a inspiração para o inspector, vincada por variadas citações e alusões ao universo da literatura policial, é obviamente simenoniana - como Maigret, Depardieu comenta a investigação com a mulher, e esta ajuda-o a fazer palavras cruzadas. Com estes elementos, constrói Chabrol uma comédia negra com vista para o abismo (ou para o cemitério, onde se começa e onde se acaba), que trata o espectador como Hitchcock tratava os seus espectadores, colocando-os sem dó nem piedade perante o Mal e a sua irrevogável força. Há três anos e oito meses que não estreia nenhum filme de Chabrol, já fazem falta.





