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O MENTOR de Paul Thomas Anderson

Sinopse

Freddie Quell (Joaquin Phoenix) é um veterano da Marinha norte-americana que regressa à Califórnia depois de anos a lutar no Pacífico, durante o período da II Guerra Mundial. Com marcas psicológicas profundas, que alteraram o seu temperamento, ele é um alcoólico viciado em sexo e com enormes dificuldades em conter um génio imprevisível e violento. Mas o fim da guerra traz também a esperança e a vontade de acreditar numa oportunidade para refazer a vida. Assim, depois alguns esforços de adaptação a esta nova sociedade, conhece Lancaster Dodd (Philip Seymour Hoffman), o carismático líder de um movimento filosófico que se auto- intitula de "A Causa". Dodd toma-o sob a sua protecção e, entre ambos, acaba por nascer uma relação muito próxima, complexa e difícil que se desenrolará durante quase uma década.

Um filme dramático com argumento e realização de Paul Thomas Anderson que valeu a Joaquin Phoenix, Philip Seymour Hoffman e a Amy Adams a nomeação para Óscares nas categorias de melhores actor e actriz.

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Ficha Técnica

Título original: The Master (EUA, 2012, 144 min)
Realização e Argumento: Paul Thomas Anderson
Interpretação: Philip Seymour Hoffman, Joaquin Phoenix, Amy Adams
Produção: Paul Thomas Anderson, Megan Ellison, Daniel Lupi, JoAnne Sellar
Musica: Jonny Greenwood
Fotografia: Mihai Malaimare Jr.
Montagem: Leslie Jones, Peter McNulty
Estreia: 7 de Fevereiro de 2013
Distribuição: Prisvideo
Classificação: M/16

Críticas

A vida em busca do sonho
Jorge Mourinha, Publico de 7 de Fevereiro de 2013

O novo filme de Paul Thomas Anderson não é o “Grande Filme Americano” que queríamos, antes um grande filme sobre o lado escuro da América.

Juntamente com 00h30 a Hora Negra e Django Libertado, O Mentor é o terceiro grande filme ignorado pelas principais nomeações aos Óscares (restringidas apenas aos seus três actores principais, Joaquin Phoenix, Philip Seymour Hoffman e Amy Adams). Mas, enquanto Quentin Tarantino e Kathryn Bigelow pagaram o preço da controvérsia temática, Paul Thomas Anderson pagou o preço da perplexidade com que O Mentor foi recebido ao longo dos últimos meses. E, no entanto, vistos em conjunto, os três filmes formam um peculiar tríptico sobre o “lado escuro” da América que pode explicar, em parte, o desconforto com que foram recebidos.

Dos três, O Mentor é contudo o mais opaco e desconcertante dos três. Acompanhando uma década na vida de um veterano da II Guerra Mundial que, desajustado da “nova América”, se deixa seduzir pelas ideias de um guru carismático, o sucessor de Haverá Sangue, grandiosamente fotografado nas cores fortes do melodrama clássico por Mihai Malaimare Jr., esquiva-se a encontrar um centro, parece flutuar um pouco ao sabor do acaso (tal como a sua personagem principal). Paul Thomas Anderson não dá grandes pistas, espera que seja o espectador a unir os pontos - é, evidentemente, de propósito: se há coisa que ele sempre foi é um cineasta cerebral, e tudo o que se passa sob a fachada gloriosa da América pós-II Guerra Mundial, do we've never had it so good que Hollywood cristalizou, passa-se apenas na cabeça das suas personagens.

São gente que procura uma panaceia para se reintegrar, que tenta reencontrar a inocência desses anos dourados antes da guerra ter tornado tudo sujo e doloroso. Essa panaceia pode bem ser a “causa” que Lancaster Dodd defende com a esperança de encontrar a solução - e, mais do que o filme à volta da Cientologia que tanto se especulou ser, O Mentor torna-se então numa alegoria de uma América caída “em pecado”, procurando reencontrar a saída do labirinto em que se deixou fechar. Freddie, o alcoólico psicótico de Joaquin Phoenix, não quer outra coisa que não seja apagar ou esquecer o passado, mesmo que isso seja impossível - busca a tal “segunda oportunidade” mitificada no “sonho americano” mas começa a perceber que talvez o mais que consiga encontrar seja o ópio do povo (álcool, sexo, religião). Dodd, o guru carismático de Philip Seymour Hoffman, é o homem compreensivo que acredita no que os outros não querem sequer ver e que lhe oferece uma possibilidade de redenção, mesmo que dentro de um quadro específico. Acreditará realmente Freddie na Causa? Acreditará realmente Dodd em Freddie? O individualismo não se dá bem com a comunidade que lhe tente pôr rédea curta - é a contradição inerente ao sonho americano, é a lição que a América quase nunca consegue aprender.

E o que Anderson faz, puxando ao máximo o glamour, a perfeição ideal dos anos da abundância, é contrastá-lo com a angústia existencial, talvez irresolúvel, de uma sociedade que esconde a ansiedade por trás da fachada. Dificilmente se poderia encontrar melhor ilustração disso do que a música discordante e sedutora de Jonny Greenwood dos Radiohead, perfeita transcrição sensorial do carrocel de emoções e identidades de O Mentor. Que, desde já, é um dos grandes filmes americanos dos últimos anos: um melodrama dos anos 1950 reencarnado numa busca existencial dos anos 1970 que não é o “Grande Filme Americano” que muitos esperavam. Apenas um grande filme sobre a América. De ontem, tal como de hoje.

Paul Thomas Anderson ou o preço dos sonhos
João Lopes, Cinemax

O realizador de "Haverá Sangue" regressa com uma deambulação trágica pela América pós-Segunda Guerra Mundial. Ainda e sempre: como equilibrar o desejo individual e as determinações colectivas?

Num momento especialmente emblemático de "The Master/O Mentor", de Paul Thomas Anderson, Labcaster Dodd (Philip Seymour Hoffman) pergunta ao seu discípulo Freddie Quell (Joaquin Phoenix) se ele considera que lhe é, ou será, possível viver sem alguma relação com um mestre, uma figura tutelar da sua existência e dos seus actos. Em boa verdade, está aí inscrita a tragédia interior de todo o cinema de Anderson: que equilíbrios podem existir entre o desejo individual e as determinações colectivas?

Se "The Master/O Mentor" é um filme tão prodigiosamente actual, isso resulta, paradoxalmente, da obsessão de caracterização histórica do trabalho de Anderson (ele que, em sentido estrito, nunca foi um cineasta histórico). Assim, através da personagem de Quell, o filme coloca em cena o pós-Segunda Guerra Mundial, com todas as suas tensões e contradições, afinal virando do avesso a imagem clássica de uma América a viver um momento de redenção.

Quell é mesmo alguém que perdeu todas as suas coordenadas, familiares, sociais, profissionais... E que encontra em Dodd, não exactamente uma resposta às dúvidas e angústias que o dilaceram, mas pelo menos, de início, a possibilidade de voltar a viver. Nesta perspectiva, pode dizer-se que "The Master/O Mentor" não é apenas um filme sobre uma procura pessoal de identidade, mas também um retrato íntimo de um país que vive, globalmente, nem que seja pelo silêncio, a dificuldade de definir os termos do seu próprio destino.

Relançando o fulgor de títulos como "Magnolia" (1999) ou "Haverá Sangue" (2007), "The Master/O Mentor" consegue essa coisa prodigiosa que é aplicar um realismo obsessivo dos lugares e objectos, ao mesmo tempo que conserva uma noção tão simples quanto radical: a de que qualquer olhar realista pressupõe a possibilidade de tratar, também de forma realista, a vida dos sonhos e utopias.

Escusado será dizer que tal visão do mundo (e do cinema como máquina de ambígua "duplicação" do mundo) pressupõe um elaborado e complexo trabalho de direcção de actores. Phoenix e Hoffman são assombrosos no seu confronto, como assombrosa é Amy Adams, compondo Peggy Dodd, a mulher do "mestre", num misto de fragilidade e crueza materna. Os três estão nomeados para Oscars de representação (respectivamente: actor principal, actor secundário e actriz secundária), mas nem Anderson nem o próprio filme podem ganhar qualquer prémio da Academia de Hollywood... Decididamente, o preço dos sonhos é muito elevado.

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