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FAUSTO de Aleksandr Sokurov

Sinopse

Séc. XIX. Heinrich Faust (Johannes Zeiler) é um filósofo e alquimista que vive frustrado pelas limitações do conhecimento humano. Tudo o que mais anseia é conhecer a natureza do mundo e o verdadeiro sentido da vida. Até que conhece Moneylender (Anton Adassinsky, no papel de Mefistófeles), que lhe dá a conhecer um lado mais obscuro e sórdido da realidade. É então que o seu novo amigo lhe propõe algo irrecusável: a sua alma em troca do amor de Margarete (Isolda Dychauk), a mulher que Faust deseja. E, claro, o conhecimento supremo.

Último episódio da tetralogia sobre o poder realizada pelo russo Alexander Sokurov, depois de "Moloch" (1999), "Taurus" (2001) e "Sol" (2005), o filme, vencedor do Urso de Ouro na 68.a edição do Festival, é uma interpretação livre do mito de Fausto, com base na obra de Goethe.
Festival de Veneza – Leão de Ouro

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Ficha Técnica

Título original: Faust (Russia, 2011, 140 min.)
Realização: Aleksandr Sokurov
Interpretação: Johannes Zeiler, Anton Adasinsky, Isolda Dychauk
Produção: Proline Film
Argumento: Aleksandr Sokurov, Marina Koreneva
Fotografia: Bruno Delbonnel
Montagem: Jörg Hauschild
Estreia: 11de Abril de 2013
Distribuição: Leopardo Filmes
Classificação: M/12

Críticas

Fausto e o Diabo segundo Sokurov
João Lopes, Cinemax (16 de Abril de 2013)

Um acontecimento à parte: com a sua versão de "Fausto", Aleksandr Sokurov mergulha na lenda do homem que vende a alma ao Diabo para, metodicamente, falar do nosso presente. Fascinante.

Pergunta irónica mas, à sua maneira, didáctica: de que falamos quando falamos do Diabo? Para encontrar a sua resposta, o cineasta russo Aleksandr Sokurov recuperou a lenda de Fausto, o homem que vende a alma ao Diabo, e, em particular, a visão que Goethe condensou na sua obra lendária.

O resultado é um filme tão fascinante quanto inclassificável. Ou melhor: impossível de classificar de acordo com os padrões correntes do mercado ou mesmo da cinefilia. Premiado com o Leão de Ouro de Veneza/2011, "Fausto" é uma aventura do Bem e do Mal que parece começar como uma reportagem sobre um tempo cruel e, a pouco e pouco, se transfigura num pesadelo existencial.

Há outra maneira de dizer isto, sem dúvida mais crua e, sobretudo, simbolicamente mais actual: acompanhamos a deambulação de Fausto (Johannes Zeiler) e do muito atencioso Mefistófeles (Anton Adasinsky), não apenas como a ilustração da fragilidade humana face às tentações, mas sobretudo como uma parábola gélida e desencantada sobre o poder devastador do dinheiro.

Para Sokurov, as aventuras do Diabo no país dos humanos representam, afinal, um desafio radical à própria linguagem cinematográfica. Aquilo que começa por se apresentar como um exercício mais ou menos abstracto de citação de todo um imenso património cultural enraizado na lenda de Fausto (incluindo a obra-prima cinematográfica de F.W. Murnau, realizada em 1926), vai construindo uma narrativa em que descobrimos, ponto por ponto, algumas angústias do nosso presente. Não haverá, por certo, ao longo de 2013, muitos filmes tão radicais e de tão paradoxal beleza.

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