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PROGRAMAÇÃO: SETEMBRO 2013

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O GRANDE GATSBY de Baz Luhrmann

Sinopse

No início dos anos 1920, numa profusão de luxo, álcool e dinheiro, uma figura misteriosa instala-se em Long Island, EUA. Quem é esta personagem sedutora, cujas festas na mansão privada em West Egg atraem a alta sociedade de toda a região? Os mais variados rumores sobre a origem da sua fortuna circulam. Será ele um espião ou um lord inglês? Um herói de guerra ou um simples exibicionista? Mais tarde, a verdade será revelada e, para surpresa de todos, tudo se resume a uma trágica – e obsessiva – história de amor.

Com argumento e realização de Baz Luhrmann (“Moulin Rouge”, “Austrália”), esta é a mais recente adaptação cinematográfica da obra homónima de F. Scott Fitzgerald, editada pela primeira vez em 1925 e que, décadas depois, se transformou num dos mais importantes romances da literatura universal. Nos principais papéis encontramos Leonardo DiCaprio, Carey Mulligan, Tobey Maguire e Joel Edgerton.

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Ficha Técnica

Título original: The Great Gatsby (EUA, 2013, 143 min.)
Realização: Baz Luhrmann
Interpretação: Leonardo DiCaprio, Carey Mulligan, Tobey Maguire
Argumento: Baz Luhrmann, Craig Pearce
Produção: Lucy Fisher, Catherine Knapman, Baz Luhrmann, Catherine Martin, Douglas Wick
Musica: Craig Armstrong
Fotografia: Simon Duggan
Montagem: Jason Ballantine, Jonathan Redmond, Matt Villa
Distribuição: Columbia Tristar Warner
Estreia: 16 de Maio de 2013
Classificação: M/12

Críticas

Sob o signo da escrita de Fitzgerald
João Lopes, Cinemax

Quando Nick Carraway (Tobey Maguire) começa a escrever as suas memórias de Jay Gatsby (Leonardo DiCaprio), o filme de Baz Luhrmann aplica os recursos das três dimensões para um efeito, no mínimo, pouco comum. Assim, como que tocadas por um poder imponderável, as palavras que Carraway vai datilografando adquirem uma autonomia e uma espessura que as transformam em entidades "esvoaçantes" no espaço do ecrã. Não é um mero efeito de "desenho animado": em boa verdade, sentimos que o 3D pode existir como um novo território para o exercício da escrita e da sua ambígua materialidade. Não é banal o desafio que assim se propõe. Desde logo porque Luhrmann, em vez de se acomodar em qualquer "ilustração" académica do texto de F. Scott Fitzgerald, encara-o justamente como uma possibilidade de abertura a novas formas de escrita e entendimento do fator humano. Depois porque o filme relança a angustiada interrogação simbólica do romance ("Como pertencemos ao nosso tempo?") como coisa muito nossa, distante de qualquer nostalgia mais ou menos revivalista. Provavelmente, na trajetória de Luhrmann, O Grande Gatsby vai ficar como o momento de eleição em que, finalmente num novo equilíbrio entre estratégia narrativa e meios de produção (recorde-se o desastre do anterior Austrália, lançado em 2008), ele consegue a proeza de fabricar um objeto cinematográfico que respeita a energia literária que o faz nascer, ao mesmo tempo celebrando uma contagiante dimensão operática. No coração de tão singular evento está Leonardo DiCaprio que aqui encontra, também ele, um momento definidor: o de figura icónica do "Sonho Americano", para sempre preso no desespero de quem não pode apagar a fragilidade infantil que, afinal, lhe confere uma radical intensidade trágica.

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