CINECLUBE DE JOANE

Maio 2022
Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão

Programa mensal

de Audrey Diwan
5 MAI 21h45
de António da Cunha Telles
12 MAI 21h45
de Hilal Baydarov
19 MAI 21h45
de Joseph Losey
26 MAI 21h45

As sessões realizam-se no Pequeno auditório da Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão. Os bilhetes são disponibilizados no próprio dia, 30 minutos antes do início das mesmas.

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12 21h45

O CERCO António da Cunha Telles Traz Outro Amigo Também

Lisboa, 1969. Marta, vinte e poucos anos, educada dentro dos melhores parâmetros tradicionais da burguesia portuguesa decide dar um novo rumo à sua vida. Abandona o marido e lança-se na procura de uma vida mais autêntica e real. A ruptura é difícil e Marta sente-se um pouco perdida. Marta começa a trabalhar como modelo para uma agência publicitária onde conhecerá todo o tipo de exploração. Ao cruzar-se com Victor Lopes, um contrabandista de Lisboa, que tudo perdeu e tudo ganhou e, a quem a vida já não surpreende, Marta encontra uma certa estabilidade emocional e económica, mas sem nunca encontrar o que pretende. Através de um comportamento instável e frágil e da sua fisionomia perturbada, Marta permite-nos lançar um olhar critico sobre as estruturas da sociedade que a envolve. O filme em que Cunha Telles se estreou na realização foi também o filme que revelou a extraordinária fotogenia de Maria Cabral.

Título original: O Cerco (Portugal, 1970, 120 min)
Realização, Argumento e Montagem: António da Cunha Telles
Interpretação: Maria Cabral, Mário Jacques, Ruy de Carvalho, Lia Gama
Produção: Virgílio Correia
Fotografia: Acácio de Almeida
Som: João Diogo
Distribuição: Mar Filmes
Classificação: M/12
Eco e prolongamento do Cinema Novo português dos anos 60, O CERCO, em que António da Cunha Telles se estreou na realização, é um belo exemplo de uma linguagem moderna no cinema português. O filme, que foi objeto de vários cortes de censura, também revelou a extraordinária fotogenia de Maria Cabral, no papel de uma personagem que atravessa o filme, tão cercada como a cidade com que a sua história se mistura: Lisboa, 1969. “O CERCO é, antes de mais, um rosto. Depois uma paisagem. O rosto é Maria Cabral, a paisagem é Lisboa. Num caso como no outro, Cunha Teles apostou na diferença e na espontaneidade. Este corpo, diferente e novo no cinema de então, inscreve-se numa paisagem também diferente: Lisboa é a cidade dos corvos, mas este ex-libris toma uma conotação diferente da que lhe dá o emblema da cidade. São aves de rapina, mas sem coragem, que se afirmam na exploração dos mais frágeis”. Manuel Cintra Ferreira, Cinemateca Portuguesa
Maria Cabral, falecida no passado mês de janeiro (2017), em Paris, onde vivia há muitos anos, participou em apenas cinco filmes, o último dos quais há trinta anos, mas marcou profundamente o cinema português na fase final do antigo regime, pela sua presença em dois filmes: O CERCO, de António da Cunha Telles e O RECADO (1971), de José Fonseca e Costa. Estes filmes, que prolongam o impulso do Cinema Novo português dos anos 60, transmitem numa linguagem moderna, que tem afinidades com a de Antonioni, o desalento de um país que estava num impasse, em que sabia-se que alguma coisa teria de acontecer, mais tarde ou mais cedo, embora ninguém soubesse exatamente o quê nem quando. E nestes dois filmes, é central a presença de Maria Cabral, que nas palavras de Fonseca e Costa, “não era propriamente uma atriz profissional. É, antes de mais, uma personagem excecional. Possui qualidades de representação notáveis”. Exatamente como muitas figuras, masculinas e femininas, do cinema de autor europeu dos anos 60, quando se buscava personalidades que tivessem uma presença e uma atitude, ao invés de atores formados por um conservatório de teatro. Por isso, Maria Cabral pôde ser, em dois filmes, “o rosto luminoso, indefinível, grave, vulnerável, de alguém que parece capaz de encarnar todos os conflitos de um país em conflito consigo próprio” Luís Miguel Oliveira, Cinemateca Portuguesa