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O método deste assassino profissional (interpretado por Michael Fassbender) é simples e preciso: nunca improvisa, não confia em ninguém, rejeita qualquer sinal de empatia e compromete-se apenas com as missões para as quais foi pago. Enquanto cumpre estas regras à risca, tudo lhe corre de feição. Até ao dia em que comete um erro que o transforma de predador em presa. Seleccionado para competir na 80.ª edição do Festival de Cinema de Veneza, um "thriller" assinado por David Fincher ("Clube de Combate", "Seven - 7 Pecados Mortais", "A Rede Social", “Em Parte Incerta”), inspirado na novela gráfica homónima escrita por Alexis "Matz" Nolent e ilustrada por Luc Jacamon. Para além de Fassbender como protagonista, o elenco inclui ainda Tilda Swinton, Charles Parnell e Sophie Charlotte.
Assassino, de David Fincher: um filme de “recreio” – e isso é bom Luís Miguel Oliveira, Publico de 25 de Outubro de 2023 O segundo filme de David Fincher para a Netflix, que faz uma carreira em sala antes de entrar para a plataforma de streaming, é bem melhor do que o primeiro, Mank (sobre a saga da escrita do argumento para Citizen Kane de Welles), e revigora um bocadinho a esperança num realizador habilidoso, por vezes brilhante (Zodiac), mas demasiadas vezes soterrado por baixo de um excesso de pretensiosismo “discursivo” e “artístico” (era justamente o caso do revisionismo ressentido de Mank). Matéria bem diferente aqui, muito mais lúdica, muito mais leve, quase um filme de “recreio”, no melhor sentido que a expressão pode ter.
Diríamos que, a partir da figura do assassino profissional, metódico e solitário (e, a bem dizer, um pouco neurótico) interpretado por Michael Fassbender, O Assassino revê a mitologia fundada por filmes como O Samurai de Jean-Pierre Melville a uma luz levemente paródica, e certamente bastante pop, tão pop-rock como as canções dos Smiths que pontuam a banda sonora, e que são música “diegética” (são as canções que a personagem ouve nos seus auriculares, tanto nos tempos livres como no ritual de preparação do que dará cumprimento à encomenda em mãos).
O emprego de uma das canções, How soon is now? (Fincher diz que tudo começou por ela, foi a vontade de a ter no filme que conduziu a um pequeno best of), é crucial na melhor cena de O Assassino, a que conclui o primeiro dos seis “capítulos”, um exercício brilhante de método e montagem, como se a mise en scène quisesse responder à ordem da personagem, que termina com um disparo em falso (ecos de Chacal, o filme de Zinnemann que também tinha uma ironia do destino a fazer falhar o tiro decisivo?).
A intromissão do acaso que faz falhar esse tiro é importante pelo contraste com as ruminações metódicas (e “metodológicas”, são um discurso sobre o seu método) do constante monólogo interior deste homem que está quase sempre sozinho, mas fala consigo próprio o tempo todo; com o tempo e com a repetição, essas ruminações perdem a solenidade inicial para se tornarem um mantra irónico (e enfim, as canções, as palavras de Morrissey, integram-se neste mantra).