CINECLUBE DE JOANE

Junho 2025
Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão

Programa mensal

de David Cronenberg
5 JUN 21h45
de Alain Guiraudie
12 JUN 21h45
de António Reis e Margarida Cordeiro
19 JUN 21h45
de Maura Delpero
26 JUN 21h45

As sessões realizam-se no Pequeno auditório da Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão. Os bilhetes são disponibilizados no próprio dia, 30 minutos antes do início das mesmas.

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19 21h45

ANA António Reis e Margarida Cordeiro


Já Não Há Cinéfilos?!

Numa longínqua região montanhosa de Portugal, vive uma família cujos contactos com o mundo exterior são raros. Os seus membros são quase vestígios de uma outra era. O seu isolamento vai ser perturbado pela chegada de uma equipa de etnólogos, com quem vão tentar manter-se numa relação distante, mesmo hostil. Cópia digitalizada pela Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema
As emoções da infância que nascem de novo, sob outras formas, com outros rostos, outras. O trabalho intenso para que as transmutações surjam e permaneçam na obra inteira e já independente de nós. (António Reis, Margarida Martins Cordeiro)

Título original: Trás-os-Montes (Portugal, 1982, 115 min)
Realização, Som, Montagem e Produção: António Reis, Margarida Cordeiro
Interpretação: Ana Maria Martins Guerra, Manuel Ramalho Eanes, Octávio Lixa Filgueiras, Aurora Afonso, Ana Umbelina
Fotografia: Acácio de Almeida
Som: Carlos Pinto, Joaquim Pinto, Pedro Caldas
Diretor de Produção: José Mazeda
Laboratório de Imagem: Tóbis Portuguesa, Éclair (Paris)
Estúdio de Som: Nacional Filmes, Billancourt (Paris)
Estreia: 6 de Maio de 1985
Alguns dirão que neste filme nada se passa, que não há narração. Serão os mesmos que a não saberão achar no diálogo de Platão, na ode de Píndaro ou no Babel e Sião de Camões. “Fraqueza da humana sorte: / que quando da vida passa / está recitando a morte”. “Recitar a morte”, do Ulisses de Homero ao Ulisses de Joyce foi o único e supremo fito da narratividade. “Ana” é, entre muitas outras coisas, o filme da compreensão disso. Se se lembra na ausência, é porque o seu espaço não é o da memória, “senão o da reminiscência”. Continuando – e concluindo – em Camões: é o filme que sobe da sombra ao real “da particular beleza / para a beleza geral”. João Bénard da Costa, Diário de Notícias, 1 de janeiro 1983
Na sua recusa de uma narrativa tradicional contada, “Ana” documenta apenas um lugar e a sua gente, descontínuo, fragmentado, frágil, intenso na contaminação necessária, mergulhando na vibração do tempo que decorre. Mas quem é e o que significa esta mulher? Que sentido têm os seus gestos, os seus passeios, as suas falas graves, o seu grito de morte “Miranda! Miranda!”, nome de animal e de burgo velhos? “Ana” é a essência, palavra completa como uma amêndoa, princípio, meio e fim em três simples letras. Palavras-chave, também, enigma e solução. Nome de mulher. Nome de filme. “Ana”, de António Reis e Margarida Cordeiro. Luís de Pina, 13 de maio 1985