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Califórnia, década de 1980. Um grupo de antigos revolucionários reencontra-se quando a filha de um deles é raptada por um inimigo de longa data. Entre as memórias do passado e a luta pela sobrevivência, os membros do grupo confrontam os seus fantasmas enquanto vêm os laços que outrora os uniram postos à prova. Escrito e realizado por Paul Thomas Anderson ("Magnólia", "Haverá Sangue", "O Mentor", "Vício Intrínseco", "Licorice Pizza"), e inspirado no romance Vineland, escrito em 1990 pelo norte-americano Thomas Pynchon, Batalha Atrás de Batalha junta sátira política à comédia negra com múltiplas referências à cultura popular de uma geração. O elenco conta com Leonardo DiCaprio, Sean Penn, Benicio Del Toro, Regina Hall e Wood Harris.
Batalha atrás de Batalha, Por Inês Lourenço, Metropolis De Paul Thomas Anderson pode-se esperar quase tudo: coolness, uma elegância moldável ao assunto na tela, energia febril, caos meticuloso, e até uma personagem que anda na rua vestida de roupão durante mais de metade do filme. Ora, «Batalha Atrás de Batalha» é o título desse quase tudo que faz do realizador americano uma referência da nossa contemporaneidade, aqui com desejo de abarcar a verve destrutiva e regenerativa do mundo (ou só de um país?), ao mesmo tempo que aponta à diversão como desígnio supremo. E que diversão.
Ao dar como primeiríssimo plano o rosto e o caminhar voluptuoso de Perfidia (Teyana Taylor, epítome da sensualidade do filme), Paul Thomas Anderson liga-nos à corrente pelo olhar de uma mulher revolucionária que dita os dois capítulos temporais desta história: no início, acompanha-se a ação do grupo ativista de Perfidia, que monta operações de ataque a prisões de migrantes na fronteira mexicana, libertando-os do jugo de um exército de teor fascista; e, mais tarde, a saída de cena desse assombroso elemento feminino deixa como consequência a longo prazo a paternidade solitária de Bob (Leonardo DiCaprio), outro revolucionário, mais desajeitado, que terá, apesar disso, algumas capacidades para criar a filha de ambos em segredo, com o futuro ameaçado pela perseguição de um coronel asqueroso (Sean Penn), que, enquanto supremacista branco, quer “purificar” a América e resolver um possível problema de currículo…
Em muitos momentos, «Batalha Atrás de Batalha» arrepia-nos pelo modo como está a medir o pulso à atualidade americana, mesmo não havendo coordenadas específicas de um “agora”. Seja como for, não se nota aqui interesse em seguir pelos termos teóricos da realidade, ao contrário da postura de Bob, quando este enumera, diante de uma professora, os acontecimentos históricos que deveriam ser contemplados no programa escolar da sua filha adolescente. Antes, o que se privilegia é o músculo da ação, em choque com a paranoia desse DiCaprio escangalhado, que travará o melhor que pode a batalha pela sua menina de ouro.
À segunda vez que o realizador procura o sustento narrativo num romance de Thomas Pynchon – o primeiro foi o menos sugestivo «Vício Intrínseco» (2014), com Joaquin Phoenix –, apetece dizer que incorreu numa loucura, esta sim, viciante. Não se trata apenas de seguir, a alta velocidade, o desencanto moral de um país, aliás, bem espelhado nas muitas ficções produzidas quase todas as semanas. O que torna «Batalha Atrás de Batalha» extremamente revigorante é a formulação fílmica, prodigiosa, de uma definição de liberdade impossível de alcançar fora do grande ecrã. O cinema como prazer de alto calibre, permeado por um amor de pai e uma genuína consciência pulp, que já fazia falta à paisagem das estreias. Difícil não pensar nele como (um dos) filme(s) do ano.