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PROGRAMAÇÃO: Maio de 2012
Sala de exibições
Pequeno auditório
Casa das Artes de V. N. de Famalicão
Parque de Sinçães - V. N. de Famalicão
MILLENNIUM 1: OS HOMENS QUE ODEIAM AS MULHERES
Sinopse
Mikael Blomqvist (Daniel Craig), jornalista e fundador da revista "Millenium", dedica a sua
vida a revelar o crime e a corrupção que minam a sociedade sueca. Como resultado, tem vários
inimigos e é tido como culpado num caso de difamação. Um dia é procurado por Henrik Vanger
(Christopher Plummer), empresário de renome obcecado em compreender as razões que levaram
ao desaparecimento, há mais de 40 anos, da sua sobrinha. Vanger acredita que alguém da família
poderá estar relacionado com o desaparecimento de Harriet, cujo corpo nunca foi encontrado. O
empresário faz então uma proposta irrecusável ao jornalista: dá-lhe acesso total à sua vida,
documentação pessoal e dados familiares em troca da solução para o caso. Com a ajuda de
Lisbeth Salander (Rooney Mara), uma "hacker" profissional com um passado misterioso, Mikael
vai encontrar a história da sua vida.
Um "thriller" de David Fincher ("Clube de Combate", "Sete Pecados Mortais", "O Estranho Caso de Benjamin Button", "A Rede Social"). Depois do enorme sucesso do filme de Niels Arden Oplev em 2009, é a adaptação americana do primeiro tomo da trilogia "Millennium" de Stieg Larsson, obra que já vendeu 65 milhões de cópias em 46 países.
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Ficha Técnica
Título original: The Girl with the Dragon Tattoo (EUA/GB/SUE/ALE, 2011, 158 min.)
Realização: David Fincher
Interpretação: Daniel Craig, Rooney Mara, Christopher Plummer, Stellan Skarsgård
Argumento: Steven Zaillian
Produção: Ceán Chaffin, Scott Rudin, Ole Søndberg
Musica: Trent Reznor, Atticus Ross
Fotografia: Jeff Cronenweth
Montagem: Kirk Baxter, Angus Wall
Estreia: 19 de Janeiro de 2012
Distribuição: Columbia Tristar Warner
Classificação: M/16
Críticas
Uma heroína para o século XXI
João Lopes, Cinemax
David Fincher, cineasta de "Se7en", "Clube de Combate" e "A Rede Social" está de volta com a adaptação da primeira parte da trilogia "Millennium", de Stieg Larsson: um grande acontecimento de um cinema intransigentemente humano.
É muito provável que a maior parte das expectativas em torno do novo filme de David Fincher, "Millennium 1 - Os Homens que Odeiam as Mulheres", passem por duas questões principais: primeiro, a maior ou menor fidelidade ao primeiro livro da trilogia, best-seller internacional, de Stieg Larsson; depois, as coincidências e diferenças em relação à versão sueca, realizada por Niels Arden Oplev em 2009, com Noomi Rapace no papel de Lisbeth Salander.
São questões possíveis, como é óbvio, eventualmente interessantes. Mas são também questões que correm o risco de passar ao lado do carácter excepcional do trabalho de mise en scène de Fincher. Assim, o que ele faz é menos uma variação sobre um esquema mais ou menos policial e mais, muitíssimo mais, um exercício de especulação sobre as fronteiras da verdade, ou melhor, sobre a nossa relação com a verdade (neste caso, tendo como centro a descoberta do que realmente aconteceu, há 40 anos, com a personagem de Harriet Vanger).
Talvez que a mais eloquente expressão desse trabalho esteja na espantosa transfiguração de Rooney Mara (que tinhamos visto, sob a direcção de Fincher, em "A Rede Social"), assumindo a personagem de Lisbeth. Enredada numa sinistra teia de dependência do agente da segurança social que gere os seus destinos, ela é um bicho de sobrevivência que Fincher trata como uma insólita e tocante heroína: move-se como um animal ferido, evita o olhar dos outros, possui uma agressividade imprevisível e, ao mesmo tempo, envolve-nos numa teia de comovente vulnerabilidade.
Lisbeth é, afinal, o pólo decisivo de um processo de conhecimento que Fincher filma como uma vertigem eminentemente moderna. Das fotografias desenterradas de um passado inquietante, até aos links mais delirantes dos modernos computadores, "Millennium 1" evolui como uma verdadeira epopeia de lugares escuros e assombrados em que cada um está condenado a testar tudo aquilo que o define: a justeza do seu olhar, a moral dos seus gestos, as ambivalências dos seus desejos.
Nesta perspectiva, Fincher confirma-se, como é óbvio, como um admirável gestor dos mais modernos e sofisticados recursos técnicos do cinema. Repare-se, em todo o caso: isso não tem nada a ver com o massacre mediático a que somos regularmente sujeitos por causa dos filmes ditos de "efeitos especiais", com muitos milhões de dólares para exibir nas estatísticas. Claro que Fincher faz um cinema ultra-sofisticado, com orçamentos altíssimos. Mas o seu tema é, ainda e sempre, a nossa magoada humanidade.
Não por acaso, "Millennium 1" evolui como um puzzle em que, quanto mais nos aproximamos de uma verdade irrecusável (afinal, o que aconteceu realmente a Harriet?...), mais nos confrontamos com o mais radical de cada um de nós, espectador incluído. Tal como nas viagens labirínticas de "Se7en" (1995) ou "Zodiac" (2007), também aqui deparamos com a claridade paradoxal de uma história tecida de medos e fantasmas. Lisbeth é uma aparição para este nosso angustiado século. Não admira que nos reconheçamos na sua luminosa tristeza.







