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PROGRAMAÇÃO: Maio de 2012
Sala de exibições
Pequeno auditório
Casa das Artes de V. N. de Famalicão
Parque de Sinçães - V. N. de Famalicão
O MUNDO NO ARAME de Rainer Werner Fassbinder
Sinopse
Uma mini-série televisiva de duas partes, estreada em Outubro de
1973. Rodada em Paris, adapta um romance de ficção científica do
americano Daniel Galouye sobre um cientista que, ao investigar
acontecimentos estranhos relacionados com um "mundo virtual" criado
num laboratório, dá por si a questionar a própria natureza da
realidade. Com 3h25 de duração total, "O Mundo no Arame" nunca teve
exibição comercial em sala e, depois de passar na televisão, caiu no
esquecimento, interrompido apenas por pontuais retrospectivas do
cineasta. O seu restauro, a cargo da Fundação Fassbinder e sob a
supervisão do director de fotografia original, Michael Ballhaus,
sublinha mais uma vez a noção de "liberdade" que percorria o cinema
dos anos 1970.
Download do Dossier
Ficha Técnica
Título original: Welt am Draht (Alemanha, 1973, 205 min.)
Realização e Argumento: Rainer Werner Fassbinder
Interpretação: Klaus Löwitsch, Barbara Valentin, Mascha Rabben, Ulli Lommel
Produção: Peter Märthesheimer, Alexander Wesemann
Música: Gottfried Hüngsberg
Fotografia: Michael Ballhaus
Montagem: Ursula Elles, Marie Anne Gerhardt
Distribuição: Leopardo Filmes
Estreia: 17 de Novembro de 2011
Classificação: M/12
Página Oficial: http://www.janusfilms.com/worldonawire/
Críticas
Fassbinder, antigo e moderno
João Lopes, Cinemax
Começou por ser uma mini-série televisiva, já lá vão quase 40 anos. Agora, "O Mundo no Arame" foi restaurado, está nos cinemas e permite-nos redescobrir o fulgor criativo de Rainer Werner Fassbinder.
Espantosa surpresa. Mas não exactamente uma revelação... Assim é "O Mundo no Arame", de Rainer Werner Fassbinder, uma grande estreia nas salas de cinema que, afinal, tem a sua produção datada de 1973. E, para mais, em televisão.
Na altura, Fassbinder (1945-1982) já não era um desconhecido. Longe disso: o seu nome destacava-se em todo um movimento de renovação do cinema alemão onde também podíamos encontrar Werner Herzog, Wim Wenders ou Hans-Jurgen Syberberg. Tinha já dirigido título emblemáticos da sua obra, incluindo o fabuloso "As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant" (1972).
Agora, em notável cópia restaurada, compreendemos que "O Mundo no Arame" lhe permitiu experimentar uma variante insólita: uma mini-série televisiva, em duas partes (totalizando 205 minutos), tendo por base o romance "Simulacron-3", de Daniel F. Galouye. Mais do que isso: "O Mundo no Arame" aventura-se nos domínios da ficção científica, encenando um mundo assombrado em que o poder está naqueles que controlam os computadores capazes de gerar poderosas simulações da realidade -- em boa verdade, o tema nuclear de filmes tão importantes como "Matrix" (1999) estava aqui.
Fassbinder encena o futuro a partir de uma desconcertante colagem ao presente. Dito de outro modo: são os cenários da Alemanha do começo da década de 70, tal e qual, que servem de pano de fundo a uma história que tem tanto de macabro como de irónico. Como se ele documentasse um tempo que já contém os fantasmas do seu futuro.
Daí o sentimento de um filme antigo, pela produção (para mais rodado nas cores tão peculiares, e tão fascinantes, da película de 16 mm), mas exemplarmente moderno pelos temas e pela narrativa. No fundo, Fassbinder coloca em cena, não apenas o poder crescente das máquinas, mas sobretudo o apagamento das fronteiras tradicionais entre "realidade" e "simulação". Nesse processo, é a própria identidade humana que se contempla nos seus impasses.







