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PROGRAMAÇÃO: MAIO 2016


Filme
MAI
6
Foto
Paul VERHOEVEN

Filme
MAI
12
Foto
Arnaud DESPLECHIN
* TRAZ OUTRO AMIGO TAMBÉM

Filme
MAI
19
Foto
Duke Johnson e Charlie Kaufman
Filme
MAI
24
Foto
Billy WILDER
* ENTRADA LIVRE
Filme
MAI
26
Foto
Roberto ROSSELLINI

Sala de exibições Pequeno auditório
Casa das Artes de V. N. de Famalicão
Parque de Sinçães - V. N. de Famalicão

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EXT. INDIE LISBOA 2016 - Heroi Independente: PAUL VERHOEVEN - AMOR E SANGUE

Sinopse

Na Idade Média, um bando de mercenários rapta a noiva do filho de um lorde como vingança por este não lhes pagar o que prometeu. Com a peste e a guerra a devastarem aquelas terras, os mercenários decidem barricar-se no castelo e aguardar o seu destino.
Filme de aventuras numa Idade Média reconstituída sem romantismo, FLESH + BLOOD foi o primeiro filme de Verhoeven com capitais americanos mas ainda não uma típica produção hollywoodiana de estúdio – inclusivamente, tudo foi rodado em Espanha, a fazer as vezes da Itália do final do século XV que é o cenário da ação. O filme foi um fracasso comercial, sobretudo nos EUA, o que Verhoeven explicou pelo “cinismo” de FLESH + BLOOD, demasiado, em seu entender, para o público americano. O seu filme seguinte, ROBOCOP, seria já rodado em Hollywood e dentro da dinâmica industrial do cinema americano. (Cinemateca Portuguesa)
Este filme será exibido na versão original, falada em inglês, sem legendagem.

Download do Dossier

Ficha Técnica

Título original: Flesh + Blood (EUA,Holanda,Espanha,1985,126 min)
Realização: Paul Verhoeven
Interpretação: Rutger Hauer, Jennifer Jason Leigh, Tom Burlison
Argumento: Gerard Soeteman, Paul Verhoeven
Fotografia: Jan de Bont
Montagem: Ine Schenkkan
Música: Basil Poledouris
Produção: Gijs Versluys
Classificação: M/16

Herói Independente: Paul Verhoeven

Abram alas e preparem-se pois eis que chega a Portugal o “holandês violento”. Esta é, pelo menos, uma das alcunhas pelas quais, um tanto precipitadamente, Paul Verhoeven é conhecido. Cinema irreverente e de um realismo cru mas sem que nunca a dimensão da sua violência toque o gratuito. Para esta sua faceta ser compreendida talvez tenha de se ir buscar uma generalização com que o povo holandês gosta de se descrever: a frontalidade.

Tendo nascido em 1938, num país prestes a sofrer na pele o impacto da Segunda Guerra Mundial, desde cedo o seu mundo foi visto pela lente da opressão e do conflito. Além dos dois filmes sobre a resistência holandesa (Soldaat van Oranje e Zwartboek), Verhoeven sempre procurou perceber as lutas históricas (o fim da Idade Média com Flesh & Blood), mas também combater o excesso de militarismo na sociedade contemporânea (essas são as mensagens veladas de RoboCop ou de Starship Troopers).

De um realismo que procura fugir ao conforto da metáfora faz ainda parte uma procura pela dignidade do corpo. O sexo, por exemplo, é uma dos seus temas, mas sempre com o propósito de o naturalizar (é um milagre o triunfo da sua ousadia no que deu a ver com Basic Instinct e Showgirls no interior da conservadora máquina de sonhos chamada Hollywood). Mas este é um tema que adquire contornos ainda ricos no seu cinema, desde logo pela compreensão do corpo como instrumento de poder e ascensão social numa sociedade predominante machista (as duas prostitutas da sua primeira longa em Wat zien ik?, mas também o poder de outras personagens femininas como em Keetje Tippel, Spetters ou De vierde man). Finalmente, o corpo é também um tema de indagação científica: a diferença entre o corpo real e o corpo robotizado (RoboCop) e desmaterializado (Hollow Man), ou ainda a fronteira entre a carne real e os seus fantasmas (Total Recall).

Por todas estas suas obsessões, rever hoje os filmes de Verhoeven convida a buscar uma outra alcunha: o de malabarista. Depois do sucesso comercial no seu país (onde o ponto mais alto é Turks fruit,ainda hoje o filme nacional mais visto de sempre na Holanda), o realizador conseguiu contornar as contingências das grandes produções americanas e afirmar-se como autor, manejando como poucos a arte, hoje um tanto em declínio, da ironia. Esse seu malabarismo nunca perdeu de vista a importância do grande público, construindo, laboriosamente, o seu imaginário com alguns dos blockbusters de acção mais famosos dos anos 1980 e 1990.

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