CINECLUBE DE JOANE

Outubro 2019
Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão

Programa mensal

de Alex Ross Perry
3 OUT 21h45
de Pedro Almodovar
10 OUT 21h45
de Akira Kurosawa
24 OUT 21h45
de Tiago Guedes
31 OUT 21h45

As sessões realizam-se no Pequeno auditório da Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão. Os bilhetes são disponibilizados no próprio dia, 30 minutos antes do início das mesmas.

Inscrições & newsletter

Indique o seu email para receber as condições e outras informações sobre como poderá tornar-se sócio e subscrever a nossa newsletter regular com a programação do cineclube e outra informação relevante.

Também se poderá inscrever ou saber mais deslocando-se à bilheteira de uma das nossas sessões. Ao tornar-se sócio usufrua das vantagens e descontos nas nossas atividades.

Trataremos o seu email com carinho e não o partilharemos com mais ninguém nem o utilizaremos para outros fins que não os acima descritos. Para fazer o nosso conteúdo chegar até si utilizamos o Mailchimp, pelo terá de concordar com termos de serviço do mesmo.

3 21h45

HER SMELL: A MÚSICA NAS VEIAS Alex Ross Perry

Becky é uma cantora punk rock que, nos últimos anos, se deixou levar por uma espiral de autodestruição. Apesar dos vários relacionamentos disfuncionais, tenta começar do zero, recuperando o equilíbrio necessário para cuidar da filha pequena e voltar aos palcos com a determinação de outrora. Um drama musical com realização de Alex Ross Perry ("Queen of Earth", "Golden Exits"), com Elisabeth Moss como protagonista, que aqui divide o grande ecrã com Cara Delevingne, Dan Stevens, Agyness Deyn, Gayle Rankin, Ashley Benson, Dylan Gelula, Virginia Madsen e Amber Heard.

Título original: Her Smell (EUA, 2018, 134 min.)
Realização e Argumento: Alex Ross Perry
Interpretação: Elisabeth Moss, Cara Delevingne, Dan Stevens
Produção: Elisabeth Moss, Matthew Perniciaro, Alex Ross Perry, Adam Piotrowicz, Michael Sherman
Musica: Keegan DeWitt, Alicia Bognanno
Fotografia: Sean Price Williams
Montagem: Robert Greene
Distribuição: Cinemundo
Estreia: 11 de Julho de 2019
Classificação: M/16
Uma cantora punk à beira de um ataque de nervos, João Lopes, DN

Elisabeth Moss distingue-se na interpretação de uma cantora punk em acelerada decomposição física e emocional: Her Smell - A Música nas Veias é uma das mais belas proezas da recente produção independente americana.
Não há dúvida que a americana Elisabeth Moss é uma atriz que arrisca e sabe arriscar. Conhecida, sobretudo, através de duas séries televisivas (Mad Men e A História de uma Serva), vai pontuando a sua atividade com projetos de cinema mais ou menos independentes, procurando personagens diferentes, imprevisíveis e fascinantes. Assim acontece em Her Smell, lançado com o subtítulo português A Música nas Veias, projeto que abraçou, por certo, com especial empenho, já que o seu nome surge na ficha técnica também com as funções de produtora.
Dir-se-ia que Her Smell tinha tudo para correr mal. Porquê? Porque este retrato de uma cantora de uma banda punk, em meados da década de 90, poderia facilmente ceder ao cliché dramático da vida artística assombrada pela decomposição familiar e pelo consumo de drogas... Claro que tudo isso está no filme, aliás com uma contundência (muito física) que vai contaminando todas as situações, não poucas vezes atravessadas por uma perturbante violência emocional. Becky, a personagem interpretada por Moss, vive, de facto, todos os momentos da sua existência à beira de um ataque de nervos - e desta vez a expressão não tem nada de irónico. Acontece que a realização de Alex Ross Perry, também responsável pelo argumento original, se interessa, de facto, pelas personagens. Aliás, a sua estratégia narrativa é, também ela, arriscada, emprestando a Her Smell uma invulgar respiração emocional.
O filme está dividido em cinco capítulos, separados por breves extratos de vídeos caseiros. Nas imagens desses vídeos encontramos sinais de uma felicidade algo burlesca que tudo o resto vais desmentir. Cada um dos capítulos é encenado em continuidade (por exemplo, nos bastidores de um concerto ou num estúdio de gravação) através de uma invulgar gestão do tempo: as ações prolongam-se de forma inusitada e, em última instância, Becky revela-se como alguém que perdeu o controlo sobre as durações (profissionais e afetivas) de toda a sua vida. Num mundo ideal (?), daqui a meia dúzia de meses, a performance de Elisabeth surgiria, por certo, na lista das grandes candidatas a uma nomeação para um Óscar... Mas não tenhamos ilusões. Her Smell foi um enorme falhanço comercial nas salas dos EUA e as contas do "box office" raramente são estranhas aos alinhamentos da chamada temporada de prémios.
Enfim, o filme não será "melhor" nem "pior" por ter (ou não ter) prémios. Seria apenas triste que os espectadores potenciais, por certo marcados pelo ruído das campanhas em torno de super-heróis & afins, nem sequer tomassem conhecimento da presença de Her Smell nas salas escuras. Apesar da sua pequenez de produção e das suas fraquezas promocionais, estamos perante um dos melhores filmes desta temporada de verão.