CINECLUBE DE JOANE

Outubro 2019
Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão

Programa mensal

de Alex Ross Perry
3 OUT 21h45
de Pedro Almodovar
10 OUT 21h45
de Akira Kurosawa
24 OUT 21h45
de Tiago Guedes
31 OUT 21h45

As sessões realizam-se no Pequeno auditório da Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão. Os bilhetes são disponibilizados no próprio dia, 30 minutos antes do início das mesmas.

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31 21h45

A HERDADE Tiago Guedes Traz Outro Amigo Também

A saga de uma família proprietária de um dos maiores latifúndios da Europa, na margem sul do rio Tejo, convida-nos a mergulhar profundamente nos segredos da sua Herdade, fazendo o retrato da vida histórica, política, social e financeira de Portugal, dos anos 40, atravessando a Revolução do 25 de Abril e até aos dias de hoje. A Herdade é uma produção de Paulo Branco, com guião do escritor Rui Cardoso Martins e Tiago Guedes (e ainda a participação de Gilles Taurand). Tem como intérprete principal Albano Jerónimo. O filme foi selecionado para a competição principal do Festival de Veneza, algo que não acontecia com um filme português há 14 anos.

Título original: A Herdade (Portugal, 2019)
Realização: Tiago Guedes
Interpretação: Albano Jerónimo, Sandra Faleiro, Miguel Borges
Argumento: Rui Cardoso Martins e Tiago Guedes, com a colaboração de Gilles Taurand
Fotografia: João Lança Morais
Montagem: Roberto Perpignani
Som: Francisco Veloso, Elsa Ferreirab e Pedro Góis
Produtor: Paulo Branco
Distribuição: Leopardo Filmes
Estreia: 19 de Setembro de 2019
Classificação: M/12
Nota de intenções do realizador

O peso das heranças
O que faz de nós o que somos?
Ao longo da vida, são as opções e as escolhas que nos vão definindo, mas transportamos connosco matéria que não percebemos nem controlamos. Algo nos faz ser e agir, algo que nasceu connosco e nos foi passado, algo que herdámos. Este filme fala-nos dessas ligações invisíveis que nos definem e condicionam.
O cenário funciona quase como uma metáfora de tudo o que se passa com o nosso personagem principal, um homem carismático, daqueles maiores do que a vida. Ambos, o homem e a terra, começam grandiosos, imperiais, mas com o decorrer dos eventos vão revelando as imperfeições, as zonas cinzentas, e tanto um como o outro se começam a desmoronar.
A Herdade (palavra que tem origem no latim “Hereditas” tal como a palavra Herança) funciona quase como uma enorme ilha dentro de um país dominado por uma ditadura fascista. Uma espécie de reino dominado por um carismático príncipe anarquista e progressista. Mas que inevitavelmente chocará de frente com a vontade de mudança de um povo. Um confronto com as mudanças da história, com a passagem dos tempos. Eu quero muito filmar essas transformações humanas e territoriais. As consequências.
A paisagem de A Herdade será a descoberta da imensa lezíria e dos latifúndios de gado da margem Sul do Tejo. Uma visão insólita: o monte térreo, os celeiros, as searas, os cavalos, as lagoas ao sol, servirão de palco histórico, político e financeiro de Portugal nos últimos 60 anos, passando pela Revolução do 25 de Abril de 1974. E serão o espaço das obscuras acções das personagens, consumidas por angústias, preconceitos sociais, cobiças, amores e desencontros. O universo de A Herdade remete-nos para muitos filmes que gosto profundamente. Filmes de espaços abertos, westerns perdidos no meio do nada, com personagens enigmáticos, que transportam segredos com eles como nos filmes de Leone e de Anthony Mann. Ao mesmo tempo que se exploram as relações humanas num tom de melodrama dos filmes mais clássicos de Minelli e Kazan.
Um filme de personagens, de actores, de interpretações fortes, da grandeza das paisagens que os envolvem e das consequências dos segredos que transportam. As heranças que nos deixam e as heranças que deixamos aos outros.