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PROGRAMAÇÃO: Abril de 2012

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5
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Lars von TRIER



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Cristian MUNGIU, Razvan MARCULESCU, Ioana URICARU
* TRAZ OUTRO AMIGO TAMBÉM!

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Akira KUROSAWA
* ENTRADA LIVRE!

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Asghar FARHADI

Sala de exibições Pequeno auditório
Casa das Artes de V. N. de Famalicão
Parque de Sinçães - V. N. de Famalicão

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AKIRA KUROSAWA — SHAKESPEARE E SAMURAIS

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Kurosawa

Kurosawa é um dos vértices da magnífica trindade do cinema japonês, que inclui, também, Kenji Mizoguchi e Yasujiro Ozu. Kurosawa assumiu-se como o mais diverso do trio: Mizoguchi, mesmo deambulando de género, manteve como tema a perdição da mulher originada pelos actos do homem; Ozu, por seu lado, fez sempre o mesmo (magnífico) filme, às voltas com a família japonesa em Tóquio. Kurosawa começou a trabalhar como assistente de realização em 1938 e no início da década de 40 estreia a sua primeira longa-metragem, A Saga de Judo, bem sucedida junto do público mas com problemas junto da censura. No pós-guerra surgem as primeiras grandes obras de Kurosawa, O Anjo Embriagado e, principalmente, Cão Danado, um policial a preto e branco estilizado, em que se destaca a escolha de locais pertencentes a um submundo marginal o que incute no filme uma atmosfera densa e portentosa. O personagem principal, um jovem polícia que procura a arma que lhe foi roubada, é desempenhado pelo actor fetiche de Kurosawa: Toshiro Mifune. O cinema japonês irrompe pela Europa com a entrega do Leão de Ouro de Veneza a Às Portas do Inferno (Rashômon), filme de Kurosawa de 1951. A partir de um drama situado no Japão do sec. XII, em que um samurai e a sua mulher são atacados por um bandido, o que resulta na morte do samurai e na violação da mulher, Kurosawa constrói um filme magnífico apresentando os três pontos de vista, relativos a cada um dos personagens, fazendo uso de uma mestria técnica e criativa notável: movimentos de câmara complexos, fotografia e jogos de luz admiráveis e uma narrativa intrincada, com saltos temporais. A década de 50 do cinema japonês, uma das mais frutíferas e relevantes da história do cinema, é sinónimo para Kurosawa da tal diversidade de temas e estilos que lhe imputávamos acima. Depois de Rashômon, o cineasta adapta livremente O Idiota de Dostoievski; depois lança-se na construção de um drama pungente, Viver, que estabelece uma dialéctica entre a vida e a morte, num dos títulos mais fortes da filmografia de Kurosawa; segue-se em 1964 a obra-prima Os Sete Samurais, obra extremamente popular em volta das figuras que mais povoam a sua obra (Kurosawa descendeu de uma longa linhagem de samurais) e que foi tão contaminada quanto contaminou, à posterior, o cinema de Hollywood, alicerçando o alcance da obra de Kurosawa; em 1957, Kurosawa erguia O Trono de Sangue, o filme em que pela primeira vez combinará subtilmente os seus samurais com os dramas de Shakespeare, ao adaptar Macbeth; comprovando a veia eclética e que o seu cinema tinha uma forte componente de entretenimento, Kurosawa estreia em 1959 A Fortaleza Escondida, filme que terá influenciado George Lucas na concepção de Star Wars! Yojimbo e Sanjuro, dois filmes de samurais, abrem a década seguinte, reformulando o género, com a aproximação ao western e com uma carga mais soturna, pessimista. Após a conturbada gestação de O Barba Ruiva (1965), um dos projectos mais pessoais de Kurosawa, assiste-se a um declínio da carreira do cineasta, com uma tentativa de suicídio pelo meio. Com financiamento americano, através dos devotos Lucas e Coppola, Kurosawa ressurge e realiza dois filmes gémeos: A Sombra do Guerreiro (1980) e Ran-Os Senhores da Guerra (1985). Estas duas obras entrelaçam, de forma majestosa, a singular conduta dos samurais com o espírito de Shakespeare: a solidão do poder cruzada com a honradez nipónica.
Vítor Ribeiro, Abril de 2011


Sessão I
ÀS PORTAS DO INFERNO [Rashômon] (Japão, 1950, 84 min)

Sinopse

Rashomon No Japão do século XII, um samurai e a sua mulher são atacados numa estrada pelo famoso bandido Tajomaru. O samurai acaba morto e a mulher violada. Tajomaru é preso pouco depois e levado a julgamento, mas a sua versão dos acontecimentos e a da mulher é tão diferente que chamam um médium para falar com o morto e ele dar a sua versão. Este também conta uma história totalmente diferente da deles. Finalmente, o lenhador que encontrou o corpo e que viu como tudo se passou tem também uma versão diferente de todos os outros. Quem está a contar a verdade? Mas afinal, o que é a verdade?

Ficha Técnica

Rashomon Poster Título original: Rashômon (Japão, 1950, 84 min)
Realização e Montagem:Akira Kurosawa
Interpretação: Toshirô Mifune, Takashi Shimura, Machiko Kyô, Masayuki Mori
Argumento: Akira Kurosawa e Shinobu Hashimoto
Produção: Minoru Jingo
Música: Fumio Hayasaka
Fotografia: Kazuo Miyagawa

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