CINECLUBE DE JOANE

Maio 2026
Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão

Programa mensal

de Pedro Cabeleira
7 MAI 21h45
de Pauline Loquès
14 MAI 21h45
de Gus Van Sant
21 MAI 21h45
de Wang Bing
28 MAI 21h45

As sessões realizam-se no Pequeno auditório da Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão. Os bilhetes são disponibilizados no próprio dia, 30 minutos antes do início das mesmas.

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7 21h45

ENTRONCAMENTO Pedro Cabeleira Traz Outro Amigo Também

Laura chega à cidade do Entroncamento decidida a largar o passado e começar de novo. Em pouco tempo consegue trabalho e agarra-se à esperança de se manter longe de problemas. Mas, dividida entre um percurso honesto e a tentação do dinheiro fácil, acaba por ser enredada num ambiente onde a criminalidade e a violência parecem fazer parte da normalidade. Com interpretações de Rafael Morais, Ana Vilaça, Tiago Costa, Luís Filipe Eusébio, Ivo Arroja, Carlos Carvalho, Cleo Diára, Sérgio Coragem, André Simões e Henrique Barbosa, Entroncamento é realizado por Pedro Cabeleira ("Verão Danado", menção especial no Festival de Locarno em 2017), que assina também o argumento em colaboração com Diogo S. Figueira.

Título original: Entrocamento (Portugal 2025, 130 min)
Realização e Montagem: Pedro Cabeleira
Interpretação: Rafael Morais, Ana Vilaça, Tiago Costa, Luís Filipe Eusébio, Ivo Arroja, Carlos Carvalho, Cleo Diára, Sérgio Coragem, André Simões e Henrique Barbosa
Argumento: Diogo Figueira e Pedro Cabeleira
Fotografia: Leonor Teles
Som: Bernardo Theriaga
Produção: Abel Ribeiro Chaves, Edyta Janczak-Hiriart, Vasco Esteves
Distribuição: Uma Pedra no Sapato
Estreia: 26 de Março de 2026
Classificação: M/16
Nota do realizador Sou do Entroncamento. Cresci nesta pequena cidade operária, conhecida como a “cidade dos comboios”, onde as pessoas chegam e partem. Com 18 anos fui para a faculdade em Lisboa e passei a ser mais um que ia e vinha. Deslumbrei-me pela capital e foi lá que fiz o meu primeiro filme Verão Danado, um retrato de uma juventude perdida na noite de Lisboa.
No entanto fui-me afastando cada vez mais das minhas origens, até ao dia em que um amigo dos tempos de juventude me convidou para filmar um videoclip de uma música sua no Entroncamento. Aceitei e passei lá um período para filmar um videoclip nas ruas onde tinha crescido e com rostos da minha infância. Comecei a pensar naqueles rapazes da minha idade, que tinham crescido no mesmo sítio que eu e que agora vivíamos vidas tão diferentes. Passei mais tempo na minha terra de origem, e ouvi mais histórias do submundo da cidade ferroviária.
Durante este processo aprofundei a noção de que o sítio onde tinha crescido impunha sobre as suas gentes uma cultura conservadora, misógina, xenófoba e sobretudo banhada em preconceitos. Percebi que aqueles que tinham ficado na cidade viviam num meio opressor, onde reinava a incerteza e a monotonia. O seu único escape parecia ser a adrenalina dos pequenos delitos.
Falei com o Diogo Figueira, argumentista e amigo de longa data (e com quem escrevi By Flávio) para escrevermos um filme sobre estes jovens perdidos nas cidades dos comboios. A narrativa era uma manta de retalhos cosida com situações e personagens fortemente inspiradas em acontecimentos e pessoas reais. Tal como no meu primeiro filme, filmei tudo com câmara ao ombro, dando espaço à improvisação dos actores, permitindo-lhes liberdade de movimento. O filme seguiu assim uma planificação mais livre, onde por vezes a câmara passeia no meio dos diferentes personagens, ou se tranca na tensão de um grande plano.
A representar-se a ela própria, esteve a maior personagem deste filme, a própria cidade, território fantasma e desencantado no coração de Portugal, mal-amada por todos, composta por bairros operários de prédios sujos e degradados, de casas baixas e abandonadas, de ruelas escuras e grafitadas, de viadutos e túneis que atravessam as linhas de comboio que fraturam a cidade em dois: uma espécie de enorme não-lugar condenado a um triste destino de cidade-dormitório por muitos daqueles vão e vêm.
Entroncamento é um retrato sobre uma juventude tardia refém da monotonia de uma cidade pequena. Um microcosmo repleto de tensão, violência e códigos de rua. No frio do Inverno procurámos a resposta para o que é isto de viver no Entroncamento. E talvez sem nunca a descobrir, acabemos em suspenso, com um sabor amargo, tal como a vida daqueles que por lá ficam e daqueles que por lá passaram.