Siga-nos no Facebook / Twitter!
PROGRAMAÇÃO: Maio 2018
Sala de exibições:
Pequeno auditório
Casa das Artes de V. N. de Famalicão
Parque de Sinçães - V. N. de Famalicão
Close-up – Observatório de Cinema
Produção da Casa das Artes e do Municipio de Famalicão.
Sinopse
Marta e Jorge namoram há sete anos. Toda a gente pensa que vivem um amor perfeito. Demasiado perfeito, para desespero de todos: de Bruno, muito mais novo que Marta, mas loucamente apaixonado por ela; de Lígia, irmã de Bruno e melhor amiga de Marta, que adoraria ver o irmão feliz; de Carlos, amigo de Jorge, que, mantendo um namoro superficial com Lígia, ama secretamente Marta; e de Jorge, ele próprio que, por medo que tal idílio seja a sua prisão, convencido de que o seu amor e o desejo de casamento da sua amada inibe a sua liberdade, decide lançar Marta nos braços de Carlos.
Realizada por Jorge Cramez, dez anos depois da estreia de "O Capacete Dourado", uma comédia dramática com detalhes autobiográficos que adapta ao grande ecrã "La Place Royale", do dramaturgo francês Pierre Corneille (1606- 1684). O elenco inclui Jaime Freitas, Eduardo Frazão, Ana Moreira, Margarida Vila-Nova e Joana de Verona.
Ficha Técnica
Título original: Amor, Amor (Portugal, 2017, 107 min.)
Realização: Jorge Cramez
Interpretação: Ana Moreira, Jaime Freitas, Margarida Vila-Nova, Joana de Verona, Eduardo Frazão, Guilherme Moura, Maya Booth
Fotografia: João Ribeiro
Argumento: Edmundo Cordeiro, Jorge Cramez
Montagem: José Rito, Jorge Cramez , Tomás Baltazar
Produção: Joana Ferreira, Isabel Machado
Som: António Pedro Figueiredo, Ricardo Leal
Estreia: 9 de Fevereiro de 2018
Distribuição: NOS Audiovisuais
Classificação: M/14
Amores e desamores
Um belo regresso à longa ao fim de dez anos, com uma comédia romântica que sabe como
contornar os lugares-comuns do género.
Jorge Mourinha, Publico de 14 de Fevereiro
Há dez anos que Jorge Cramez não voltava à longa, desde o aclamado mas desequilibrado O Capacete Dourado. E fá-lo subindo a fasquia, assinando com Amor, Amor uma comédia doce- amarga de amores e desamores na Lisboa contemporânea, com qualquer coisa de lúdica guerra dos sexos onde as mulheres (Ana Moreira e Margarida Vila-Nova) têm todo o jogo na mão e os homens (Jaime Freitas, Nuno Casanovas e Guilherme Moura) procuram colocar-se a jeito.
Reconhece-se em Amor Amor o cuidado estético do realizador (sumptuosa fotografia de João Ribeiro), o seu olhar estilizado sobre a paisagem e a cidade, perfeitamente integrados numa narrativa consistente, livremente adaptada de La Place royale ou l’amoureux extravagant do seiscentista francês Pierre Corneille. É um filme de maturidade onde encontramos pontos em comum com cineastas que têm trabalhado de maneira lateral sobre a comédia romântica, como o argentino Matias Piñeiro ou o americano Alex Ross Perry — e é um filme que, por uma vez, desafia a convenção demagógica segundo a qual o cinema só pode ser “de autor” ou “de indústria”. Amor, Amor não é uma coisa nem outra, tem personalidade e bom gosto e tudo para chegar ao grande público. Só é preciso querer.
Amor Amor
Hugo Gomes _ http://www.c7nema.net
Há 10 anos atrás estreava entre nós o filme O Capacete Dourado, um romance de contornos shakespearianos transportado para o contexto social atual e que, de forma vampírica, beberia de uma tragédia que tanto “apimentou” os medias portugueses. Infelizmente, apesar da passagem em Locarno, a atenção não foi a devida o que, em conjunto com os “trambolhões” que o sistema de validação e financiamento de projetos cinematográficos deu na última década, procrastinaram este tão esperado regresso (sem querer afirmar com isso que Jorge Cramez é uma espécie de D. Sebastião do cinema português). Cinema, esse, que ao contrário do pensamento demagógico, não precisa de ser salvo.
Eis que surge Amor Amor, a transformação atual da peça La Place Royale ou l'Amoureux Extravagante, de Pierre Corneille (escrito em 1634), para uma intimidade ritualizada que o autor assume. Tratando-se de uma história de encruzilhadas amorosas entre cinco personagens, todas elas remetidas a amores secretos e a planos ocultos para a concretização dessas mesmas paixões, tudo decorrido no último do ano.
O quincôncio é inserido em diferentes signos, como figuras estampadas de qualquer baralho de tarot, tendo a nosso dispor a Trágica (Ana Moreira), o Manipulador (Jaime Freitas), a Cínica (Margarida Vila-Nova), o Ingénuo (Nuno Casanovas) e por fim, o Romântico (Guilherme Moura). Figuras que incentivarão esta tragicomédia a seguir sob um registo coeso e igualmente boémio em relação às suas tramas. Uma festa, uma praia e por fim o réveillon como reinício, as três etapas que adensarão estas relações em constantes choques.
Mas o que nos motiva a gostar imensamente deste Amor Amor, não é o seu enredo, nem as suas personagens, nem sequer os diálogos, nem mesmo as suas sofredoras paixões e compaixões que servem de linguagem meta-cinematográfica. O que realmente realça a nova obra de Cramez de muitas outras produções nacionais (sobretudo aquelas com as quais compete no Indielisboa), é o afeto evocado pelo plano. O realizador constrói um filme tendo em consciência prioritária de como filmá-lo, e nesse modo atribuir uma narrativa vivaça, fortemente rica e sobretudo de um virtuosismo rigoroso em relação à sua estrutura técnica. Amor Amor separa-se dos imensos produtos televisivos (sempre associados à palavra - técnica) por essa dedicação à perspetiva do espectador, incutindo com isso algumas das sequências mais belas do cinema português recente. E que amor esse! Pelo plano conjunto, de tão difícil marcação, pelo grande plano que tenta invocar a introspeção quase direta da alma das personagens (a mencionar a transposição dos quadros de arte e do olhar do artista a essa transfiguração).
Mas esta experiência, o bem-vindo reencontro da longa-metragem, não é de todo perfeita e Cramez, apesar de acertar na narrativa visual, falha sobretudo na narrativa temporal. Tarkosvski referia o tempo, não como uma simulação, e sim como um retrato realista. Amor Amor pode não ter a ousadia de elaborar uma intriga de 24 horas de ordem fiel, porém, não conseguiu transmitir essa sensação de tempo. Um dia é mais atribulado que uma semana e devido a isso, o espectador perde-se neste registo temporal. Trocando por miúdos, demasiados eventos para 24 horas.
Fora isso, Amor Amor é um filme invulgar no nosso panorama. E esperemos que Jorge Cramez continue a diversificar o seu cinema e a pensá-lo de forma técnica, que muitas vezes parece faltar aos nossos “alegres tugas”.


.jpg)


