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PROGRAMAÇÃO: Maio 2018
Sala de exibições:
Pequeno auditório
Casa das Artes de V. N. de Famalicão
Parque de Sinçães - V. N. de Famalicão
Close-up – Observatório de Cinema
Produção da Casa das Artes e do Municipio de Famalicão.
Sinopse
Desde muito cedo que Tonya Harding revelou um extraordinário talento para a patinagem. Essa aptidão, aliada a uma prática diária intensiva com a treinadora Diane Rawlinson, fez dela uma das mais brilhantes patinadoras no gelo de todos os tempos. Aguentando maus- tratos e humilhações por parte da progenitora – uma mulher autoritária e ambiciosa que esperava enriquecer à custa do sucesso da filha – e, mais tarde, de Jeff Gillooly, o homem com quem casou aos 18 anos, a atleta acaba por sofrer pressões de vários tipos. A um mês das Olimpíadas de Inverno de 1994, Tonya vê-se envolvida num escândalo com a sua compatriota e rival Nancy Kerrigan. Esse terrível incidente, que fez manchetes nos jornais de todo o mundo, marcou o princípio do fim da sua carreira...
Estreado no Festival de Cinema de Toronto, um drama biográfico em estilo "mockumentary" (falso documentário) escrito por Steven Rogers e realizado por por Craig Gillespie. "Eu, Tonya" recebeu três nomeações para os Óscares: melhor actriz principal e secundária e melhor edição.
Ficha Técnica
Título original: I, Tonya (EUA, 2017, 120 min)
Realização: Craig Gillespie
Interpretação: Margot Robbie, Sebastian Stan, Allison Janney
Produção: Tom Ackerley, Margot Robbie, Steven Rogers, Bryan Unkeless
Argumento: Steven Rogers
Musica: Peter Nashel
Fotografia: Nicolas Karakatsanis
Montagem: Tatiana S. Riegel
Distribuição: NOS Audiovisuais
Estreia: 21 de Fevereiro de 2018
Classificação: M/16
Tonya Harding, o vulgar e o sublime
João Lopes, Cinemax
Cineasta do insólito "Lars e o Verdadeiro Amor", Craig Gillespie dirige agora Margot Robbie no excelente "Eu, Tonya" — uma evocação de um escândalo no mundo da patinagem no gelo feita com assinalável contundência realista.
Em 1994, quando Nancy Kerrigan, rival de Tonya Harding na patinagem no gelo, foi agredida, Tonya foi ou não cúmplice do que aconteceu?... Não é verdade que a agressão foi montada pelo ex-marido de Tonya?... E porque é que ela nunca escondeu o seu menosprezo pela adversária?... Eis algumas perguntas que podem definir um enigma policial, mas que não bastam para resumir um filme como "Eu, Tonya", centrado, precisamente, naquela ocorrência. Isto porque estamos perante uma narrativa que, mais do que uma divisão absoluta e definitiva entre "inocentes" e "culpados", procura ser fiel à infinita complexidade dos seres humanos.
Dito de outro modo: "Eu, Tonya" é uma ficção elaborada a partir de factos verídicos, mas com engenho e arte para conservar uma dimensão insolitamente documental. Aliás, o filme dirigido por Craig Gillespie (foi ele que, em 2007, assinou o também insólito e desconcertante "Lars e o Verdadeiro Amor", com Ryan Gosling) organiza-se mesmo como uma hipotética investigação em que, pontualmente, as personagens dão o seu testemunho directamente para a câmara.
Estamos perante (mais) um sintomático objecto marcado por esse desejo de realismo hoje em dia transversal a muitas cinematografias — para nos ficarmos por um exemplo óbvio, recordemos o também recentemente estreado "15:17 Destino Paris", de Clint Eastwood.
Como é óbvio, não tem nada de acidental que tudo isso aconteça através de uma subtil direcção de actores, parecendo certo que Allison Janey, no papel da mãe de Tonya, tem assegurado o Oscar de melhor actriz secundária. Sublinhemos, por isso, a excepcional performance de Margot Robbie, como Tonya, nomeada na categoria de melhor atriz — não é todos os dias que vemos uma actriz capaz de expor o vulgar e o sublime de uma mesma personagem.

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