Siga-nos no Facebook / Twitter!
PROGRAMAÇÃO: Maio 2018
Sala de exibições:
Pequeno auditório
Casa das Artes de V. N. de Famalicão
Parque de Sinçães - V. N. de Famalicão
Close-up – Observatório de Cinema
Produção da Casa das Artes e do Municipio de Famalicão.
SONHOS COR-DE-ROSA, de Marco Bellocchio
Sinopse
Massimo é um jornalista bem-conceituado que trabalha num dos mais importantes jornais de Itália. Um dia, após um trabalho particularmente difícil sobre a Guerra da Bósnia, começa a ter ataques de pânico. Simultaneamente, vê-se obrigado a tratar dos assuntos da venda da casa de família, onde viveu toda a infância. Ao encarar as memórias do passado, a situação de ansiedade piora. É então que, ao procurar ajuda profissional, conhece a Dr.a Elisa, alguém que o vai ajudar a superar um trauma que teve origem numa perda irreparável: a morte da mãe quando tinha apenas nove anos de idade.
Versão cinematográfica da obra "Tem Bons Sonhos", do escritor italiano Massimo Gramellini, "Sonhos Cor-de-Rosa" vem assinado por Marco Bellocchio ("Em Nome do Pai", "Sedução Diabólica", "Bom Dia, Noite", "Vencer"). Valerio Mastandrea, Bérénice Bejo, Fabrizio Gifuni e Barbara Ronchi dão vida aos personagens.
Ficha Técnica
Título original: Fai bei sogni (Itália/França, 2016, 130 min)
Realização: Marco Bellocchio
Interpretação: Bérénice Bejo, Valerio Mastandrea, Fabrizio Gifuni
Argumento: Valia Santella, Edoardo Albinati, Marco Bellocchio
Produção: Beppe Caschetto, Simone Gattoni, Alexandra Henochsberg
Fotografia: Daniele Ciprì
Montagem: Francesca Calvelli
Distribuição: Alambique
Estreia: 5 de Abril de 2017
Classificação: M/14
Um luminoso melodrama italiano
Inês Lourenço, DN
As convulsões familiares do cinema de Marco Bellocchio estão de volta num magnífico tributo ao amor materno. Se noutros filmes seus temos filhos que matam as mães - como I pugni in tasca (1965) e Il sorriso di mia madre (2002) - neste é a revolta de uma orfandade precoce que lança as bases para um profundo retrato humano.
Ao adaptar o romance autobiográfico do jornalista Massimo Gramellini, que foi um êxito em Itália, o cineasta veterano cultiva o território dramático com a sabedoria do detalhe, e os moldes do seu próprio cinema. Intercalando a infância, a adolescência e a idade adulta do protagonista, Sonhos Cor-de-Rosa faz um percurso comovente, de violência interior, que nos abarca na substância dos grandes melodramas, sem nunca cair nas armadilhas do sentimentalismo fácil. A pungente arte de Bellocchio não podia estar mais viva.
Bellocchio, drama e melodrama
João Lopes, Cinemax
Nem sempre nos recordamos dele, mas é um facto: Marco Bellocchio continua a ser um nome fundamental na paisagem do cinema italiano. Dele nos chega, agora, o magnífico "Sonhos Cor- de-Rosa", adaptado de um romance de Massimo Gramellini.
Quem são os grandes clássicos do cinema italiano? Quem são os autores que ajudaram a definir tanto a sua concisão social como a capacidade de lidar com os enigmas do comportamento humano?
Sabemos responder, sem dúvida: de Roberto Rossellini a Michelangelo Antonioni, do neo- realismo às convulsões das "novas vagas", o seu trabalho deixou marcas profundas dentro e fora de Itália... Mas porque é que, quase sempre, nos esquecemos de Marco Bellocchio?
Lembremos, para simplificar, que aos 77 anos (nasceu a 9 de Novembro de 1939, em Piacenza, na região da Emilia-Romagna) Bellocchio continua a ser um cineasta capaz de preservar uma tradição (melo)dramática que começa sempre no gosto por histórias capazes de expor as ambiguidades e contradições do factor humano.
Assim acontece em "Sonhos Cor-de-Rosa", estreado o ano passado, em Cannes, integrando a programação da Quinzena dos Realizadores. Tendo como ponto de partida o romance homónimo de Massimo Gramellini (editado entre nós, pela Bertrand, como "Tem Bons Sonhos"), Bellocchio encena a trajectória de um adulto que continua a viver de forma palpável — e, por assim dizer, realista — a perda da mãe, ocorrida quando tinha apenas nove anos...
Como sempre através de uma excelente direcção de actores (Valerio Mastandrea, Bérénice Bejo, Dario Dal Pero, etc.), Bellocchio desmonta esse conflito, latente ou expresso, entre a identidade social dos seus protagonistas e as razões (mesmo as menos racionais...) das suas pulsões mais fundas. Escolhido para inaugurar a Festa do Cinema Italiano, "Sonhos Cor-de-Rosa" é, de facto, um exemplo modelar de uma produção que sabe falar do presente sem menosprezar a riqueza do seu património narrativo.

.jpg)

.jpg)

